Planalto vê ‘presente’ de Trump para a comunicação de Lula em investigação comercial mirando o Pix

Política

Secom identifica oportunidade de explorar popularidade do meio de pagamento em peças que pregam a defesa da soberania do país

Integrantes do Palácio do Planalto veem na investigação aberta pelos Estados Unidos sobre as práticas comerciais brasileiras um novo “presente” de Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os pontos citados no documento que detalha a apuração, está o uso do Pix pelos brasileiros, meio de pagamento desenvolvido pelo Banco Central e que se popularizou em todo o país.

Para o time de Lula, ao mirar no Pix, o governo americano dá novo combustível à campanha pela defesa da soberania, que vem sendo explorada pela gestão petista em sua campanha de comunicação desde que o tarifaço de Trump foi anunciado.

Entre o time da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), comandado pelo ministro Sidônio Palmeira, já se discute como usar a popularidade do meio de pagamento e a boa imagem que ele tem junto à população em novas peças nas redes sociais.

Divulgada nesta quarta-feira, a investigação comercial aberta pelo governo Trump não envolve somente o Pix. O documento que explica a apuração cita redes sociais, falta de controle ao desmatamento ilegal, práticas de corrupção e até o comércio da Rua 25 de Março, em São Paulo, ao tratar de supostas falhas na proteção e aplicação adequada e efetiva dos direitos de propriedade intelectual. Esses pontos serão alvo de investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que abriu o processo e vai dizer se as práticas listadas são consideradas desleais.

No Planalto, a ideia é usar imagem positiva do Pix contra a oposição, reforçando que a culpa da ofensiva dos EUA é dos bolsonaristas.

Sondagens encomendadas pelo governo dão suporte ao plano. Elas vêm mostrando que a rejeição aos EUA entre os brasileiros está em patamar elevado e segue crescendo. Além disso, somente um percentual pequeno diz concordar com o tarifaço de Trump, de acordo com essas pesquisas internas.

Apesar disso, integrantes do governo dizem que estão atentos aos pedidos feitos pelos empresários de que o Planalto aja com temperança e busque o caminho do diálogo e da negociação com os americanos. Estão nos cálculos do time da Secom os riscos de errar o tom na politização.

Fonte: O Globo

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