Brasília – A série de encontros bilaterais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou à margem da conferência da ONU, em Nova York, já começa a ter reflexos na política interna brasileira. As conversas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, projetaram o Brasil como ator relevante no cenário global e fortalecem a narrativa do Planalto de que o país “voltou a ser ouvido no mundo”.
Para analistas políticos, a imagem internacional de Lula é peça estratégica na disputa eleitoral de 2026. A equipe governista avalia que a exposição de Lula ao lado de lideranças de diferentes espectros — de Zelensky a Trump — reforça a ideia de que o presidente tem trânsito político e respeito global, o que pode ser explorado por aliados em campanhas municipais de 2026 e na própria sucessão presidencial.
Capital político no exterior e discurso doméstico
Com Zelensky, Lula manteve a defesa de soluções negociadas para a guerra no Leste Europeu. A reunião com Macron reativou a parceria ambiental e comercial, bandeiras caras ao eleitorado urbano e progressista no Brasil. Já o encontro com Trump foi interpretado como gesto de pragmatismo, um recado ao público mais conservador de que o governo não se limita a alianças ideológicas.
Essa combinação de agendas pode ajudar o Planalto a ampliar sua base de apoio interno. “Lula mostra que fala com todos, o que reforça sua imagem de estadista e contrapõe o discurso da oposição de que o Brasil estaria isolado”, avalia o cientista político ouvido pela reportagem.
Impacto no tabuleiro eleitoral
Dentro do PT, líderes já planejam usar os encontros como argumento de campanha, destacando que a visibilidade internacional do presidente traz investimentos e fortalece a posição do país em negociações comerciais. Para a oposição, porém, a leitura é de que Lula busca compensar dificuldades econômicas com simbolismo externo.
Ainda assim, mesmo críticos reconhecem que a fotografia de Lula ao lado de Macron, Zelensky e Trump é poderosa. Em um país marcado pela polarização, a imagem de um presidente ativo na diplomacia internacional pode se transformar em ativo eleitoral.
Reportagem e pesquisa: Marcelo Rodrigues


