A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) protagonizou um dos episódios mais polêmicos do período eleitoral de 2022. Na véspera do segundo turno da disputa presidencial, em 29 de outubro, a parlamentar foi filmada em São Paulo correndo atrás de um homem negro pelas ruas dos Jardins enquanto empunhava uma pistola.
O episódio
Zambelli havia participado de um ato político em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro quando se envolveu em uma discussão acalorada com militantes que defendiam Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo testemunhas, após uma troca de ofensas, a deputada sacou sua arma de fogo e passou a perseguir um opositor.
As imagens, que circularam rapidamente nas redes sociais, mostraram a deputada apontando a pistola para o homem, que buscava abrigo em um bar. O episódio gerou forte repercussão, sendo classificado como grave e perigoso por juristas e especialistas em segurança pública.
Repercussão imediata
No mesmo dia, o então ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a apuração urgente do caso. Organizações da sociedade civil denunciaram a cena como um exemplo de intimidação política armada durante o processo eleitoral.
Zambelli, por sua vez, alegou ter agido em “legítima defesa”, afirmando que havia sido agredida verbalmente e fisicamente antes de sacar a arma. A versão foi contestada pelas imagens, que não mostravam o homem armado ou oferecendo risco à parlamentar.
Desdobramentos jurídicos
O caso levou a deputada a responder a inquérito por porte ilegal de arma e ameaça. A Polícia Civil de São Paulo concluiu que não houve legítima defesa, já que não havia risco iminente que justificasse a ação armada. O episódio ainda foi anexado a investigações mais amplas sobre a conduta de Zambelli e seu envolvimento em movimentos antidemocráticos.
Símbolo da radicalização política
O gesto da deputada tornou-se um dos símbolos da escalada de tensão e radicalização durante as eleições de 2022. Para críticos, o caso expôs os riscos da retórica de ódio e da política armamentista defendida pelo bolsonarismo.
Mesmo após o episódio, Zambelli se reelegeu para a Câmara dos Deputados e continuou atuando como uma das principais vozes da oposição ao governo Lula.
Reportagem e pesquisa: Marcelo Rodrigues


