Crivella acusa governo de vingança ao criticar TVs para presos e negativa a Bolsonaro

Rio de Janeiro

Brasília — O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) fez duras críticas ao governo federal após a divulgação de que equipamentos de televisão seriam destinados a unidades do sistema penitenciário, enquanto foi negado ao ex-presidente Jair Bolsonaro o pedido para acesso a um aparelho similar durante sua custódia. Para Crivella, a diferença de tratamento evidencia motivação política e sentimento de vingança contra o ex-chefe do Executivo.

Em pronunciamento, o parlamentar classificou a decisão como incoerente e injustificável, afirmando que o governo adota “dois pesos e duas medidas” ao permitir benefícios coletivos a presos comuns e, ao mesmo tempo, negar condições básicas ao ex-presidente. Segundo Crivella, a situação ultrapassa o campo jurídico e entra no terreno da perseguição política.
“Não se trata de privilégio, mas de isonomia. Quando o Estado autoriza televisores em presídios e, ao mesmo tempo, nega esse direito a um ex-presidente da República, a mensagem que fica é de retaliação”, afirmou o deputado.

Crítica ao governo e ao sistema

Crivella também direcionou críticas diretas ao governo federal, afirmando que decisões dessa natureza agravam a polarização política e comprometem a credibilidade das instituições. Para o parlamentar, o uso do sistema penal como instrumento simbólico de punição política é perigoso e fere princípios básicos do Estado Democrático de Direito.

“O Brasil não pode normalizar decisões movidas por ressentimento ideológico. O sistema de Justiça deve agir com equilíbrio, independentemente de quem esteja sendo julgado”, declarou.

Repercussão no Congresso

O discurso de Crivella ecoou entre parlamentares da oposição, que passaram a cobrar explicações do Ministério da Justiça e dos órgãos responsáveis pela administração do sistema penitenciário. Deputados aliados de Bolsonaro defendem que o tratamento dado ao ex-presidente deve seguir os mesmos critérios aplicados a qualquer outro detento, respeitando a legislação vigente.

Nos bastidores do Congresso, o episódio é visto como mais um capítulo da tensão entre o governo federal e setores conservadores, que acusam o Executivo de promover revanchismo político desde a mudança de governo.

Posição jurídica

Especialistas ouvidos por parlamentares ponderam que decisões sobre benefícios em unidades prisionais devem seguir critérios técnicos e legais. No entanto, admitem que a comparação entre casos distintos, quando ganha forte repercussão política, acaba gerando desgaste institucional e alimentando o debate público sobre seletividade e imparcialidade.

Clima de embate

Ao encerrar seu pronunciamento, Marcelo Crivella reforçou que continuará denunciando o que considera abusos e injustiças. Segundo ele, o Congresso não pode se calar diante de situações que, em sua avaliação, representam uso político do Estado contra adversários.

“O respeito à lei precisa valer para todos — inclusive para quem pensa diferente do governo”, concluiu.

Reportagem: Marcelo Rodrigues

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