Governo teme desgaste com evangélicos após polêmica no desfile da Acadêmicos de Niterói

Política

Brasília, 18 de fevereiro de 2026 — O Planalto passou a monitorar com crescente preocupação a reação de lideranças evangélicas e parlamentares conservadores após a polêmica gerada pelo desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A repercussão negativa entre evangélicos pode representar um desgaste político para o governo num ano eleitoral sensível.

A controvérsia começou quando a Acadêmicos de Niterói incluiu na Sapucaí uma das alas chamada “Neoconservadores em conserva”, em que foliões desfilaram fantasiados de latas com o rótulo “Família em Conserva”, ironizando grupos identificados com valores conservadores — incluindo, na leitura de críticos, evangélicos e outros setores de direita.

A representação artística foi criticada por parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica, que classificaram a ação como “desrespeitosa” e, em alguns discursos, “ofensiva à fé cristã”. O presidente da Frente, deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), anunciou que acionará o Ministério Público e a Justiça para responsabilizar os envolvidos.

O episódio também levou a uma nota de repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), que afirmou que a alegoria configura “preconceito religioso” e afronta valores democráticos e a liberdade de crença.

No horizonte político, aliados do governo avaliam que o caso pode prejudicar o diálogo com um setor que representa cerca de 27% da população brasileira e que tem peso eleitoral relevante — especialmente em uma corrida presidencial que se intensifica rumo a outubro. Críticos como o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) chegaram a afirmar que o desfile foi um “desastre” para a relação entre o presidente e a comunidade evangélica.

No Planalto, auxiliares avaliam que a repercussão ultrapassou a esfera cultural e ganhou contornos políticos, reforçando narrativas de adversários de que o governo estaria desconectado de parte do eleitorado conservador. A avaliação interna é que será necessário ampliar o engajamento com lideranças evangélicas e religiosos para evitar que o episódio se traduza em perdas de apoio em regiões e segmentos estratégicos nas eleições deste ano.

Reportagem: Marcelo Rodrigues

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