Por Marcelo Rodrigues | RCNEWS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou pela primeira vez, nesta sexta-feira (29), a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Durante um evento realizado no estado de Sergipe, Lula afirmou que o Brasil não aceitará qualquer tipo de intervenção internacional em assuntos internos relacionados ao combate ao crime organizado. O presidente ressaltou que o governo brasileiro possui instrumentos legais e instituições capazes de enfrentar as facções criminosas que atuam no país.
“Não aceitamos ser tratados como moleques nem como uma republiqueta”, declarou o presidente ao defender a soberania nacional.
Lula também criticou declarações atribuídas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que anunciou a medida na quinta-feira. Segundo o presidente brasileiro, embora PCC e Comando Vermelho representem uma grave ameaça à população, especialmente nas comunidades mais vulneráveis, o combate a essas organizações deve ser conduzido pelas autoridades brasileiras.
O chefe do Executivo destacou que o Congresso Nacional aprovou legislações específicas para o enfrentamento das facções criminosas e do crime organizado, reforçando que o governo continuará atuando para enfraquecer essas organizações.
“Eles são terroristas para as famílias que vivem sob o domínio do crime, para os moradores das periferias e para todos aqueles que sofrem com a violência. E nós vamos combatê-los”, afirmou.
A declaração ocorre um dia após o anúncio do Departamento de Estado norte-americano e em meio à repercussão política da decisão nos dois países. O tema também ganhou destaque após recentes encontros entre lideranças políticas brasileiras e representantes do governo dos Estados Unidos.
A classificação das facções brasileiras como organizações terroristas pode ampliar mecanismos de cooperação internacional, sanções financeiras e ações de inteligência envolvendo autoridades norte-americanas. No entanto, o governo brasileiro reforça que o combate ao crime organizado continuará sendo conduzido dentro dos limites da legislação nacional e do respeito à soberania do país.
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