A Igreja Católica celebra em 20 de junho a memória de Nossa Senhora da Consolata, também conhecida como Nossa Senhora da Consolação ou Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos. Trata-se de uma das mais antigas e belas devoções marianas da tradição cristã, especialmente venerada na cidade de Turim, na Itália.
A história desta devoção atravessa séculos de perseguições, guerras, milagres e reencontros providenciais, fortalecendo a fé de gerações de cristãos que encontraram em Maria um refúgio seguro nas horas de sofrimento.
A ORIGEM DA DEVOÇÃO
Segundo a tradição, Santo Eusébio, após passar anos exilado na Palestina e em outras regiões do Oriente, encontrou um belo ícone mariano representando Nossa Senhora com o Menino Jesus.
Ao retornar do exílio, levou a imagem para a cidade de Turim e a entregou a São Máximo, então bispo da cidade. Reconhecendo a importância espiritual daquele ícone, o bispo mandou construir um altar dedicado à Virgem Maria na igreja de Santo André.
A partir daquele momento, numerosos relatos de graças e milagres começaram a surgir entre os fiéis que recorriam à intercessão de Nossa Senhora da Consolata.
A PERSEGUIÇÃO DOS ICONOCLASTAS
No ano de 820, a região foi invadida pelos iconoclastas, grupos que promoviam a destruição de imagens religiosas. Para preservar o precioso ícone, religiosos esconderam a imagem nas catacumbas da igreja.
Com o passar dos anos, a localização exata acabou sendo esquecida. Muitos acreditavam que o quadro havia sido destruído.
O ícone permaneceu oculto por mais de um século.
O MILAGROSO REENCONTRO
Em 1014, um nobre italiano chamado Arduino encontrava-se gravemente enfermo. Durante suas orações, recebeu uma aparição de Nossa Senhora.
Maria pediu que ele reconstruísse uma igreja sobre as ruínas do antigo templo de Turim. Após a visão, Arduino recuperou a saúde e iniciou imediatamente a obra.
Durante as escavações, ocorreu uma grande surpresa: o antigo ícone de Nossa Senhora da Consolata foi encontrado intacto.
O povo considerou o fato um verdadeiro milagre e uma grande consolação para toda a comunidade cristã.
UMA NOVA GUERRA E OUTRO MILAGRE
Mais de um século depois, uma nova guerra devastou a cidade de Turim. Novamente a igreja foi destruída e o ícone desapareceu entre os escombros.
Durante muitos anos acreditou-se que a imagem havia sido perdida para sempre.
Foi então que Nossa Senhora apareceu em sonho a um homem cego chamado John Ravais, residente na França. Maria pediu que ele viajasse até Turim, encontrasse a imagem e ajudasse na reconstrução da igreja.
Mesmo sem enxergar, John obedeceu. Com o apoio do bispo local, iniciou as buscas.
Milagrosamente, o ícone foi reencontrado exatamente onde Nossa Senhora havia indicado. Quando John Ravais aproximou-se da imagem, recuperou instantaneamente a visão.
A notícia espalhou-se rapidamente e fortaleceu ainda mais a devoção popular.
PADROEIRA DE TURIM
Após os sucessivos milagres, Nossa Senhora da Consolata passou a ser reconhecida como protetora e padroeira da cidade de Turim.
A devoção espalhou-se por toda a Itália, alcançando posteriormente diversos países da Europa e do mundo.
Atualmente, milhares de peregrinos visitam anualmente o Santuário da Consolata, em Turim, onde o precioso ícone permanece preservado.
UM ÍCONE DE ESPERANÇA
O título “Consolata” vem do dialeto piemontês e significa “Consoladora” ou “Consolação”. A devoção recorda aos fiéis que Maria conduz sempre seus filhos a Jesus Cristo, fonte da verdadeira paz e da autêntica consolação.
Segundo antiga tradição cristã, o ícone teria sido pintado por São Lucas Evangelista. Embora essa informação não possa ser comprovada historicamente, ela demonstra a profunda veneração que a imagem recebeu ao longo dos séculos.
O quadro sobreviveu a guerras, perseguições e destruições, tornando-se um símbolo da proteção de Deus e da intercessão materna da Virgem Maria.
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONSOLATA
Ó Mãe Consolata, vós sois no Céu a Rainha dos anjos e dos santos, e aqui na terra sois a Mãe das consolações. Vós sois a Consolata, e eu, vosso filho, vos peço consolação e graça.
(Faça aqui o seu pedido.)
Mãe querida, vós sabeis o modo, conheceis o caminho para ouvir-me. Dizei uma palavra a Jesus, que trazeis em vossos braços com tanto amor e carinho, e será suficiente para que eu prove a alegria do conforto.
Consolado por vós e por vosso Filho, serei capaz de consolar os meus irmãos que mais sofrem. Saberei também enfrentar com serenidade as dificuldades, encontrando em vós auxílio e proteção.
Amém.
Nossa Senhora da Consolata, rogai por nós!
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos



