Bispo espanhol denuncia perseguição religiosa após aprovação de lei sobre “terapias de conversão”

Igreja

Reportagem: Marcelo Rodrigues

O bispo de Orihuela-Alicante, na Espanha, Dom José Ignacio Munilla, criticou duramente a reforma do Código Penal aprovada pelo Congresso dos Deputados espanhol que criminaliza as chamadas “terapias de conversão”. Para o prelado, a nova legislação representa uma forma de perseguição religiosa contra católicos que, livremente, desejam viver a castidade de acordo com os ensinamentos da Igreja.

Durante seu programa Sexto Continente, transmitido pela Rádio María España, Dom Munilla afirmou que as chamadas terapias de conversão “não existem” e classificou a expressão como uma construção ideológica criada por um “lobby anticristão” para impedir que pessoas com inclinações homossexuais recebam acompanhamento espiritual quando desejam viver em conformidade com a moral católica.

A reforma do Código Penal prevê pena de seis meses a dois anos de prisão para quem aplicar ou promover métodos, programas ou procedimentos destinados a modificar, reprimir ou eliminar a orientação sexual, a identidade sexual ou a expressão de gênero de uma pessoa, ainda que haja consentimento do interessado.

Segundo o bispo, a consequência prática da nova legislação é restringir a liberdade religiosa dos fiéis.

«”O objetivo dessa lei é impedir que um homossexual seja católico ou, se for católico, que seja fiel ao Magistério da Igreja. Querem que seja um católico dissidente”, afirmou.»

Dom Munilla declarou ainda que a Igreja continuará acolhendo e acompanhando pessoas que, por iniciativa própria, busquem auxílio espiritual para viver a castidade.

«”Devemos obedecer a Deus antes que aos homens. Não deixaremos de acompanhar os homossexuais que pedem o apoio da Igreja para viverem em castidade”, ressaltou.»

O bispo também manifestou preocupação com aquilo que considera pressões internas enfrentadas pela Igreja. Segundo ele, existe receio em diversos setores eclesiais de defender integralmente a doutrina católica sobre a moral sexual.

“O pior é que, dentro da Igreja, existem muitas áreas onde temos medo, fechamos os olhos ou até negamos explicitamente a fé católica em relação à vivência da sexualidade”, declarou.

Munilla concluiu afirmando que sua principal preocupação é preservar a unidade da Igreja em torno da fé e da moral católicas, alertando para o que chamou de infiltração de grupos ideológicos em alguns ambientes eclesiais.

A nova legislação continua sendo alvo de intenso debate na Espanha, dividindo opiniões entre defensores dos direitos LGBTQIA+ e representantes de entidades religiosas que alegam haver restrições à liberdade de consciência e de religião.

Reportagem: Marcelo Rodrigues

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