Solenidade recorda que a Mãe de Jesus, ao terminar sua vida terrestre, foi elevada por Deus em corpo e alma à glória celestial
A Igreja Católica celebra, em 15 de agosto, a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. A data recorda uma das mais importantes verdades da fé católica sobre Nossa Senhora: ao terminar o curso de sua vida terrestre, Maria foi elevada por Deus em corpo e alma à glória do Céu.
Escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus e Salvador da humanidade, Maria recebeu uma missão única na história da salvação. Em seu ventre virginal, o Verbo de Deus assumiu a natureza humana e veio habitar entre nós.
Por sua plena união com Cristo, Maria recebeu de Deus a graça de participar de maneira singular da vitória de seu Filho sobre o pecado e a morte. Seu corpo, que acolheu o Salvador, não foi submetido à corrupção do sepulcro, mas glorificado e elevado ao Céu.
ASSUNÇÃO NÃO É ASCENSÃO
A tradição católica faz uma importante distinção entre a Ascensão de Jesus e a Assunção de Maria.
Jesus subiu ao Céu por seu próprio poder divino. Maria, por sua vez, foi elevada por Deus. Por isso, a Igreja utiliza a palavra “Assunção”, indicando que Nossa Senhora foi acolhida na glória celestial por uma ação da graça divina.
A solenidade não celebra apenas a glorificação de Maria. Ela também anuncia aquilo que Deus prepara para todos os que permanecem unidos a Cristo: a ressurreição do corpo e a vida eterna.
A ANTIGA TRADIÇÃO DA DORMIÇÃO
A celebração da Assunção possui raízes antigas na história do cristianismo. Desde os primeiros séculos, comunidades cristãs do Oriente recordavam a “Dormição da Mãe de Deus”, expressão utilizada para falar do término da vida terrestre de Maria e de sua passagem para a glória celestial.
No século VII, a festa da Dormição foi oficializada no Império Bizantino e também introduzida em Roma. Com o passar do tempo, no Ocidente, o termo “Assunção” tornou-se predominante.
Existem diferentes tradições sobre os últimos momentos da vida de Nossa Senhora. Algumas falam de sua Dormição antes de ser elevada ao Céu. O dogma católico, entretanto, não define se Maria passou ou não pela morte. A verdade de fé proclamada pela Igreja afirma que, terminado o curso de sua vida terrestre, ela foi assunta em corpo e alma à glória celestial.
O DOGMA PROCLAMADO POR PIO XII
Em 1º de novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamou solenemente o dogma da Assunção por meio da Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”.
Na definição dogmática, o pontífice declarou:
“Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”
A proclamação confirmou solenemente uma verdade que já estava presente havia séculos na fé, na liturgia e na devoção do povo cristão.
MARIA, RAINHA DO CÉU E MÃE DA IGREJA
Glorificada junto de Deus, Maria é venerada pela Igreja como Rainha do Céu e da Terra. Sua Assunção manifesta a singular dignidade recebida por aquela que respondeu ao chamado divino com fé, humildade e total obediência.
Nossa Senhora também é reconhecida como Mãe da Igreja. Do Céu, permanece unida à missão de seu Filho e intercede maternalmente por todos os seus filhos.
A devoção católica ensina que toda graça tem sua origem em Deus e chega à humanidade pelos méritos de Jesus Cristo, único Salvador. Maria participa dessa obra por meio de sua oração e intercessão materna, sempre conduzindo os fiéis ao encontro com seu Filho.
SINAL DE ESPERANÇA PARA A HUMANIDADE
Na Assunção da Virgem Maria, a Igreja contempla a esperança da ressurreição já plenamente realizada em uma criatura humana.
Maria glorificada é sinal de consolação para o povo de Deus que ainda caminha neste mundo. Nela, a Igreja contempla antecipadamente seu destino: a comunhão plena com Deus e a vitória definitiva da vida sobre a morte.
A solenidade recorda que o corpo humano também foi criado para a glória. A salvação oferecida por Cristo alcança a pessoa inteira, corpo e alma.
Ao contemplar Nossa Senhora elevada ao Céu, os cristãos são convidados a dirigir o olhar para a eternidade, renovar a esperança e permanecer fiéis ao Evangelho.
A Assunção de Maria proclama que o mal, o sofrimento e a morte não possuem a palavra final. Em Cristo, a vida triunfará definitivamente.
Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos


