Presidente do TSE apresentou a diplomatas o funcionamento das urnas eletrônicas, os mecanismos de fiscalização e as medidas preparadas para as Eleições de 2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o Brasil se tornou uma referência mundial na realização de eleições e destacou a eficiência, a segurança e a transparência do processo eleitoral brasileiro.
A declaração foi feita durante uma reunião realizada na segunda-feira, 17 de agosto, na sede do TSE, em Brasília, com embaixadores, diplomatas e representantes de organismos internacionais.
O encontro teve como objetivo apresentar à comunidade internacional o funcionamento das urnas eletrônicas, os mecanismos de auditoria e fiscalização e as principais medidas preparadas pela Justiça Eleitoral para as Eleições Gerais de 2026.
Informações iniciais sobre o evento indicaram a participação de representantes de 86 países. Balanços divulgados posteriormente apontaram representações de 91 países, além de três organismos internacionais: a Organização das Nações Unidas, a União Europeia e a Liga dos Estados Árabes.
“REFERÊNCIA MUNDIAL”
Ao abrir o encontro, Nunes Marques afirmou que o Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, um sistema eleitoral reconhecido internacionalmente.
Segundo o presidente do TSE, esse reconhecimento é resultado de um processo contínuo de modernização das normas, dos procedimentos e dos sistemas tecnológicos utilizados pela Justiça Eleitoral.
Para o ministro, o modelo brasileiro reúne condições para garantir transparência, segurança, eficiência e credibilidade na organização das eleições.
Nunes Marques declarou ainda que todos os esforços da Justiça Eleitoral possuem como finalidade assegurar que a vontade manifestada pelos eleitores nas urnas seja plenamente respeitada.
APRESENTAÇÃO DAS URNAS ELETRÔNICAS
Durante a programação, os representantes estrangeiros receberam informações sobre o funcionamento da urna eletrônica e os procedimentos adotados antes, durante e depois da votação.
O TSE apresentou mecanismos de segurança, auditoria, fiscalização e acompanhamento que podem ser utilizados por partidos políticos, instituições públicas, entidades fiscalizadoras e representantes da sociedade civil.
A Justiça Eleitoral também explicou que as urnas funcionam de maneira isolada e não permanecem conectadas à internet durante a votação.
Entre os procedimentos de verificação estão o Teste Público de Segurança, o Teste de Integridade, a fiscalização dos sistemas eleitorais e a disponibilização do código-fonte para análise das entidades autorizadas.
O encontro faz parte da estratégia do TSE de ampliar a transparência e permitir que representantes de outros países conheçam detalhadamente as diferentes etapas do processo eleitoral brasileiro.
ELEIÇÕES DE 2026
A reunião integra o Programa de Convidados Internacionais para as Eleições de 2026. Por meio da iniciativa, autoridades estrangeiras e integrantes de organismos internacionais podem acompanhar os preparativos e o funcionamento das eleições brasileiras.
As Eleições Gerais estão previstas para o dia 4 de outubro de 2026. Caso seja necessária a realização de segundo turno para presidente ou governadores, a nova votação acontecerá no dia 25 de outubro.
Os eleitores escolherão o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
O TSE pretende utilizar a presença de observadores e convidados internacionais para ampliar o conhecimento sobre o sistema brasileiro e fortalecer a cooperação entre instituições eleitorais de diferentes países.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DESINFORMAÇÃO
Além da apresentação das urnas eletrônicas, Nunes Marques demonstrou preocupação com o uso indevido da inteligência artificial durante a campanha eleitoral.
O presidente do TSE alertou para a possibilidade de utilização de vídeos, imagens e áudios falsos para enganar os eleitores, distorcer o debate público ou prejudicar candidatos.
Uma das principais preocupações está relacionada às chamadas deepfakes, conteúdos manipulados digitalmente para simular falas ou ações de pessoas reais.
As normas eleitorais proíbem a utilização de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas. Conteúdos produzidos ou modificados com o auxílio de inteligência artificial também devem seguir as regras de identificação estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
O TSE criou uma comissão permanente para acompanhar o uso da tecnologia e elaborar medidas de prevenção e resposta diante de possíveis abusos durante o período eleitoral.
SALA DE CRISE COM PLATAFORMAS DIGITAIS
Nunes Marques também informou a criação de uma sala de crise com representantes de plataformas digitais.
A estrutura deverá funcionar nos fins de semana do primeiro e do segundo turnos das eleições, com o objetivo de facilitar a comunicação entre a Justiça Eleitoral e as empresas responsáveis pelas principais redes sociais.
A iniciativa pretende acelerar a análise de conteúdos potencialmente ilegais, combater campanhas coordenadas de desinformação e proteger a liberdade de escolha dos eleitores.
O tribunal busca estabelecer mecanismos de cooperação que permitam respostas rápidas sem comprometer a liberdade de expressão e o debate democrático.
TRANSPARÊNCIA E CONFIANÇA
Ao apresentar o sistema eleitoral para diplomatas e representantes internacionais, o TSE procura reforçar a confiança nas urnas eletrônicas e esclarecer dúvidas sobre os procedimentos utilizados no Brasil.
A iniciativa também pretende demonstrar que a segurança de uma eleição não depende apenas do equipamento utilizado para receber os votos, mas de um conjunto de normas, auditorias, testes, sistemas de fiscalização e participação institucional.
O encontro com representantes estrangeiros ocorre em um momento de preparação intensa para as Eleições de 2026 e de crescente preocupação com a disseminação de informações falsas, ataques cibernéticos e manipulações produzidas com inteligência artificial.
Para Nunes Marques, a experiência acumulada pela Justiça Eleitoral, aliada à constante modernização tecnológica, coloca o Brasil em posição de destaque entre as democracias que utilizam sistemas eletrônicos de votação.
Reportagem: Marcelo Rodrigues — Rede Católica News


