EPISÓDIO 4
MARCELO CRIVELLA PREFEITO DO RIO DE JANEIRO
Gestão municipal foi marcada por programas sociais, ações na saúde, enfrentamento de uma grave crise financeira e os desafios impostos pela pandemia de Covid-19
Depois de construir uma longa trajetória no Senado Federal e exercer o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella assumiu, em janeiro de 2017, um dos maiores desafios de sua vida pública: administrar a cidade do Rio de Janeiro.
Eleito prefeito em 2016, Crivella chegou ao Palácio da Cidade com a proposta de tornar a administração municipal mais humana, ampliar o atendimento às áreas mais necessitadas e priorizar serviços essenciais como saúde, educação, assistência social e conservação urbana.
Seu mandato, encerrado em dezembro de 2020, foi marcado por iniciativas importantes, mas também por dificuldades financeiras, crises na prestação de serviços públicos, fortes chuvas e, no último ano, pela pandemia de Covid-19.
UM RIO COM GRAVES DESAFIOS FINANCEIROS
Ao assumir a Prefeitura, Crivella afirmou ter encontrado um município pressionado por compromissos financeiros, queda na arrecadação e despesas relacionadas à manutenção da estrutura construída para os Jogos Olímpicos de 2016.
Diante desse cenário, promoveu uma reorganização administrativa, reduziu secretarias e cargos comissionados e anunciou medidas de contenção de despesas. A proposta era diminuir o custo da máquina pública e direcionar mais recursos para os serviços considerados essenciais.
Entretanto, a crise financeira acompanhou praticamente todo o mandato. A Prefeitura enfrentou dificuldades para manter pagamentos, realizar investimentos e garantir o funcionamento regular de áreas como saúde, conservação e infraestrutura.
SAÚDE E ATENDIMENTO À POPULAÇÃO
Uma das iniciativas mais conhecidas da gestão foi o Corujão da Saúde, programa criado para ampliar a realização de cirurgias eletivas nos hospitais municipais durante a noite e aos fins de semana.
Nos primeiros meses, o programa realizou milhares de procedimentos e buscou reduzir as filas de pacientes que aguardavam atendimento. A administração também promoveu o Mutirão da Catarata, destinado às pessoas que esperavam por cirurgias oftalmológicas, e o programa Sem Varizes, voltado especialmente aos pacientes com problemas graves de circulação.
Essas ações representaram uma tentativa de utilizar a estrutura hospitalar por mais horas ao longo do dia e oferecer uma resposta mais rápida aos moradores que aguardavam por procedimentos.
A saúde municipal, porém, também atravessou períodos de grande instabilidade. No decorrer do mandato, unidades enfrentaram falta de profissionais, medicamentos e recursos. A situação provocou críticas de servidores, pacientes, órgãos de fiscalização e adversários políticos.
Crivella atribuiu parte das dificuldades à crise financeira do município e à necessidade de rever contratos com organizações sociais. Durante sua gestão, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde, o Iabas, deixou de atuar na rede municipal.
ATENÇÃO AOS BAIRROS E ÀS COMUNIDADES
A administração implantou o programa Rio em Ação, levando serviços municipais diretamente aos bairros. As atividades reuniam atendimentos de saúde e assistência social, orientações jurídicas, emissão de documentos, ações de conservação e encaminhamento de demandas apresentadas pelos moradores.
A proposta buscava aproximar a Prefeitura das comunidades, especialmente em regiões onde a população encontrava maior dificuldade para acessar os serviços públicos.
Na área de prevenção de riscos e combate às enchentes, a Prefeitura informou ter investido aproximadamente R$ 1,296 bilhão entre 2017 e março de 2019 em limpeza urbana, drenagem, contenção de encostas e outras medidas.
Apesar dos investimentos anunciados, as fortes chuvas que atingiram o Rio durante o mandato, especialmente em 2019, expuseram problemas históricos de drenagem, ocupação de áreas de risco e infraestrutura. Mortes, deslizamentos e alagamentos geraram críticas à capacidade de prevenção e resposta do poder público.
MOBILIDADE, TRANSPORTE E TECNOLOGIA
Na mobilidade urbana, a gestão deu continuidade às obras do BRT TransBrasil, corredor iniciado na administração anterior. O projeto enfrentou interrupções, dificuldades contratuais e sucessivos adiamentos, não sendo concluído durante o mandato de Crivella.
A Prefeitura também criou o aplicativo Taxi.Rio, lançado em 2017 para permitir que os passageiros solicitassem corridas diretamente aos taxistas cadastrados, com descontos e sem cobrança de taxas dos profissionais.
Em março de 2020, o sistema contabilizava mais de 12 milhões de corridas, aproximadamente 670 mil usuários cadastrados e 16 mil motoristas ativos. O aplicativo tornou-se uma alternativa pública às plataformas privadas de transporte e permaneceu como um dos legados tecnológicos daquela administração.
A disputa envolvendo a concessão da Linha Amarela também ganhou destaque. Crivella questionou a cobrança do pedágio e os termos do contrato com a concessionária, defendendo que a via deveria voltar ao controle do município. A medida recebeu apoio de parte dos motoristas, mas abriu uma longa batalha judicial.
EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E VALORES
Na educação, a gestão manteve uma das maiores redes municipais de ensino da América Latina e aprovou, em 2018, o Plano Municipal de Educação, com metas para um período de dez anos.
Crivella procurou incorporar à administração uma visão baseada na valorização da família, no respeito à fé e no atendimento às camadas mais vulneráveis da sociedade. Esses princípios foram constantemente apresentados como fundamentos de sua atuação pública.
Sua identidade religiosa, entretanto, também esteve no centro de debates. Críticos questionaram algumas decisões e declarações do prefeito, enquanto seus apoiadores afirmavam que ele sofria resistência por professar publicamente sua fé cristã.
O desafio de Crivella foi conciliar suas convicções pessoais com a responsabilidade de governar uma cidade plural, formada por pessoas de diferentes religiões, culturas e visões políticas.
O DESAFIO DA PANDEMIA
O último ano do mandato foi completamente transformado pela chegada da Covid-19. A partir de março de 2020, a Prefeitura determinou o fechamento temporário das escolas municipais e adotou medidas de restrição para tentar reduzir a circulação do coronavírus.
A administração anunciou a montagem de um hospital de campanha no Riocentro, promoveu ações de sanitização e distribuiu cestas básicas a grupos atingidos economicamente pela crise. Também foram disponibilizadas vagas em hotéis para acolher idosos que viviam em locais com grande aglomeração e maior risco de contaminação.
A pandemia trouxe um desafio sem precedentes para todas as administrações públicas. Além da emergência sanitária, o Rio enfrentou queda da atividade econômica, desemprego, redução da arrecadação e crescimento da vulnerabilidade social.
As decisões da Prefeitura receberam avaliações distintas. Enquanto aliados destacaram as medidas de emergência e o esforço da rede municipal, opositores criticaram atrasos, mudanças de orientação e dificuldades na entrega de algumas estruturas anunciadas.
UM LEGADO QUE PRIORIZOU O SER HUMANO
Marcelo Crivella deixou a Prefeitura em 31 de dezembro de 2020, após ser derrotado no segundo turno da eleição municipal daquele ano.
Seu governo permanece objeto de avaliações diferentes. Entre as realizações lembradas estão o Corujão da Saúde, os mutirões de cirurgias, o Rio em Ação, o aplicativo Taxi.Rio, os investimentos anunciados para prevenção de enchentes e as medidas emergenciais adotadas durante a pandemia.
Por outro lado, a gestão enfrentou críticas relacionadas à crise da saúde, à conservação urbana, à execução orçamentária, às obras não concluídas e ao relacionamento com diferentes setores da sociedade.
Administrar o Rio de Janeiro significou enfrentar uma cidade complexa, desigual e pressionada por problemas históricos. Para seus apoiadores, Crivella procurou governar com sensibilidade social, fé e atenção especial aos mais pobres. Para seus críticos, faltaram planejamento, capacidade financeira e maior eficiência na execução das políticas públicas.
O período à frente da Prefeitura tornou-se uma das etapas mais intensas da trajetória política de Marcelo Crivella. Entre realizações, crises e controvérsias, sua passagem pelo Executivo municipal acrescentou ao antigo senador e ministro a experiência de administrar diretamente os problemas cotidianos de milhões de cariocas.
No próximo episódio da série especial “Marcelo Crivella — Fé, Política e Esperança”, o RCNEWS abordará a atuação de Crivella na defesa da família, da liberdade religiosa e dos valores cristãos.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Presidente do RCNEWS
Fontes consultadas: Prefeitura do Rio de Janeiro, Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro e registros públicos da administração municipal.


