Levantamento BTG/Nexus mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno; resultado aumenta pressão sobre candidaturas de direita
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (24), provocou movimentações entre lideranças e apoiadores da direita. O levantamento mostra uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), fortalecendo as discussões sobre uma candidatura única ou a realização de uma campanha pelo chamado “voto útil”.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. A diferença de quatro pontos percentuais está no limite da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.
Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; Romeu Zema (Novo), também com 3%; Augusto Cury (Avante), com 2%; e Samara Martins (UP), com 1%.
Somados, os percentuais de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema chegam a 45%, superando numericamente os 41% registrados por Lula. Essa soma, entretanto, representa apenas uma projeção matemática: não significa que todos os eleitores de Caiado e Zema migrariam automaticamente para Flávio caso houvesse alguma desistência ou acordo político.
EMPATE TÉCNICO NO SEGUNDO TURNO
Na simulação de segundo turno, Lula registra 46% e Flávio Bolsonaro aparece com 45%. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico e reforça a percepção de que a eleição presidencial permanece completamente aberta.
Na rodada anterior da pesquisa, Lula aparecia com 47% e Flávio tinha 44%. A redução da distância entre os dois candidatos animou setores da direita que defendem a concentração de votos no nome considerado mais competitivo contra o atual presidente.
O levantamento também aponta equilíbrio entre Lula e Ronaldo Caiado em uma eventual disputa de segundo turno. O presidente aparece com 46%, enquanto o ex-governador de Goiás registra 42%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o cenário também representa empate técnico no limite.
PRESSÃO POR CANDIDATURA ÚNICA
Diante dos números, cresce entre lideranças e eleitores da direita a discussão sobre a possibilidade de união ainda no primeiro turno. Uma das alternativas seria negociar a retirada de candidaturas menos competitivas em favor do nome que apresentar melhores condições eleitorais.
Outra estratégia seria uma campanha aberta pelo “voto útil”, buscando convencer eleitores de Zema, Caiado, Renan Santos e de outros candidatos a concentrarem seus votos em Flávio Bolsonaro.
O objetivo seria reduzir a fragmentação do campo conservador e, em uma projeção mais ambiciosa, tentar alcançar a maioria absoluta dos votos válidos para decidir a eleição ainda no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro já fez um apelo aos eleitores de Caiado, Zema e Renan Santos para que apoiem sua candidatura. A movimentação, porém, pode encontrar resistência dos demais presidenciáveis, que dependem da campanha eleitoral e da propaganda no rádio e na televisão para ampliar sua presença nacional.
TRANSFERÊNCIA DE VOTOS NÃO É AUTOMÁTICA
Apesar do entusiasmo provocado pela soma dos percentuais, especialistas costumam alertar que votos não pertencem aos candidatos nem são transferidos integralmente por meio de acordos partidários.
Parte dos eleitores de Zema, Caiado ou Renan Santos poderia escolher Flávio Bolsonaro, mas outra parcela poderia migrar para Lula, optar por um candidato diferente, votar em branco ou anular o voto.
Além disso, para vencer no primeiro turno, um candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos. Portanto, mesmo uma eventual união entre os principais nomes da direita ainda exigiria uma campanha capaz de consolidar e ampliar esse eleitorado.
PESQUISA MOSTRA ELEIÇÃO ABERTA
A pesquisa ouviu 2.006 eleitores por telefone entre os dias 21 e 23 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026.
Os resultados indicam que a disputa segue polarizada, mas também mostram que os candidatos posicionados fora dos dois primeiros lugares podem desempenhar papel decisivo. As próximas semanas deverão revelar se a direita conseguirá construir uma unidade política ou se manterá diferentes candidaturas até o primeiro turno.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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