Segundo Lauro Jardim, ministro do STF estaria insatisfeito com o cumprimento de determinações e teria advertido que poderá adotar medidas contra a direção da PF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria elevado o tom com a cúpula da Polícia Federal diante da demora no envio integral de informações relacionadas às investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As informações foram publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. Segundo o relato, Mendonça teria solicitado há meses o acesso aos dados brutos das apurações, além de informações sobre eventuais mudanças na equipe de investigadores responsável pelo caso.
As determinações, entretanto, não teriam sido integralmente cumpridas pela Polícia Federal. A demora e a forma como as informações estariam sendo encaminhadas teriam aumentado a insatisfação no gabinete do ministro.
COBRANÇA SOBRE DADOS BRUTOS
Mendonça é relator de investigações que tramitam no STF e envolvem o nome de Lulinha. O ministro teria requisitado que os dados obtidos por meio de quebras de sigilo fossem enviados ao seu gabinete em estado bruto, antes da seleção ou filtragem realizada pelos investigadores.
De acordo com informações anteriormente divulgadas pela imprensa, o pedido ocorreu depois de reiteradas solicitações para que relatórios e materiais fossem anexados aos autos. Interlocutores do ministro sustentam que pelo menos três pedidos teriam sido realizados antes da determinação mais abrangente.
A cobrança provocou desconforto dentro da Polícia Federal. Integrantes da corporação teriam manifestado preocupação com a autonomia institucional da PF na condução dos inquéritos e com uma possível interferência do Poder Judiciário na atividade investigativa.
MUDANÇAS NA EQUIPE TAMBÉM PREOCUPAM MENDONÇA
Outro ponto de tensão envolve mudanças entre os policiais responsáveis pelas apurações. Mendonça teria determinado que seu gabinete fosse previamente informado sobre eventuais substituições na equipe de investigação.
A medida demonstra preocupação com a continuidade dos trabalhos e com a preservação dos elementos já reunidos. O ministro teria estranhado alterações realizadas durante o andamento das apurações envolvendo o filho do presidente da República.
GOVERNO TERIA TENTADO MEDIAR O IMPASSE
Segundo a coluna de Lauro Jardim, o impasse teria levado representantes do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União (AGU) a participarem de tentativas de mediação entre o gabinete de Mendonça e a direção da Polícia Federal.
As conversas, no entanto, não teriam sido suficientes para resolver completamente a crise. Diante da continuidade do impasse, Mendonça teria advertido que poderia adotar providências contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Até o momento, porém, não foi divulgado documento público confirmando uma ameaça formal, a abertura de procedimento ou a aplicação de qualquer medida contra o dirigente da corporação.
INVESTIGAÇÕES TRAMITAM SOB SIGILO
Fábio Luís Lula da Silva é citado em investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e articulações empresariais envolvendo pessoas que buscavam contratos ou autorizações dentro do governo federal.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que as apurações têm motivação política. Também sustenta que não existem provas de recebimento de dinheiro desviado, participação de autoridades com foro privilegiado ou ligação direta de Fábio Luís com fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social.
A Procuradoria-Geral da República pediu que um dos inquéritos seja enviado à primeira instância, sob o argumento de que não existem autoridades com foro privilegiado envolvidas. A decisão sobre a permanência ou não da investigação no STF caberá a André Mendonça.
INFORMAÇÃO AINDA DEPENDE DE CONFIRMAÇÃO OFICIAL
A informação de que Mendonça teria “perdido a paciência” e ameaçado agir contra o diretor-geral da Polícia Federal é atribuída à coluna de Lauro Jardim.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial do ministro nem documento público confirmando eventual medida contra a direção da PF. Por esse motivo, o relato deve ser tratado como informação de bastidor, ainda dependente de confirmação institucional.
O episódio, entretanto, evidencia o ambiente de tensão entre o gabinete do relator e a Polícia Federal sobre o acesso integral às provas, a condução dos inquéritos e a composição das equipes responsáveis pelas investigações.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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