MENSAGENS INDICAM ARTICULAÇÃO PARA FILHO DE GONET PARTICIPAR DE VIAGEM LIGADA A VORCARO EM LONDRES

Política

Relatório da Polícia Federal registra resposta positiva do ex-banqueiro ao pedido, mas conversas não comprovam que o deslocamento tenha efetivamente ocorrido

Um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revela uma articulação para que um dos filhos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, participasse de uma viagem ou evento em Londres com o grupo ligado ao empresário.

O conteúdo foi divulgado inicialmente pela coluna da jornalista Andreza Matais e repercutido por Luiz Bacci.

Em uma das conversas, o advogado Ciro Soares teria perguntado a Vorcaro: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. O empresário respondeu: “Óbvio, né?”.

Os registros indicam, portanto, que houve uma consulta e que Vorcaro concordou com a possível inclusão do filho do procurador-geral. As mensagens divulgadas, entretanto, não comprovam, por si sós, que a viagem tenha sido efetivamente realizada nem esclarecem quem teria custeado as despesas.

Paulo Gonet possui dois filhos: Pedro Henrique de Moura Gonet Branco e Gustavo Teixeira Gonet Branco. Parte das informações divulgadas menciona Pedro Gonet, mas os primeiros relatos sobre o documento afirmavam que as comunicações não permitiam determinar com segurança qual dos dois participaria da programação.

Naquele período, Paulo Gonet esteve em Londres e participou de atividades relacionadas ao meio jurídico e financeiro. Entre os eventos mencionados nas reportagens está uma degustação do uísque Macallan, associada à programação que contava com a participação de pessoas ligadas ao Banco Master.

O episódio ganhou repercussão por envolver o chefe da Procuradoria-Geral da República e Daniel Vorcaro, que posteriormente se tornou alvo de investigações relacionadas às operações do Banco Master.

Apesar da resposta afirmativa de Vorcaro, ainda faltam esclarecimentos sobre a realização da viagem, a identidade do filho mencionado, o eventual pagamento das despesas e a natureza da participação do Banco Master na programação.

Reportagens posteriores apontam, inclusive, que o evento jurídico discutido nas mensagens pode não ter sido realizado. Por isso, não é possível afirmar apenas com base nos diálogos que o filho de Gonet tenha viajado com Vorcaro ou que suas despesas tenham sido pagas pelo empresário.

O caso reforça a necessidade de transparência e de esclarecimentos públicos por parte dos envolvidos, respeitando-se a apuração dos fatos e o princípio de que mensagens sobre uma viagem planejada não constituem, isoladamente, prova de sua realização.

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Rede Católica News — informação com responsabilidade cristã

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