IGREJA CELEBRA EM 8 DE SETEMBRO A NATIVIDADE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA
Festa recorda o nascimento daquela que foi escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus Cristo e participar de maneira singular da história da salvação
A Igreja Católica celebra em 8 de setembro a Natividade da Santíssima Virgem Maria, uma das festas marianas mais antigas e importantes do calendário litúrgico.
A celebração acontece exatamente nove meses depois da Solenidade da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro. Enquanto a Imaculada Conceição recorda que Maria foi preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua existência, a Natividade celebra o seu nascimento.
A data não representa apenas uma homenagem ao nascimento de uma figura importante da história cristã. Para a Igreja, a chegada de Maria ao mundo anuncia a proximidade da realização das promessas de Deus.
Por meio dela, o Verbo se fez carne e Jesus Cristo entrou na história humana para realizar a obra da redenção.
A AURORA DA SALVAÇÃO
Os Evangelhos não apresentam informações sobre o nascimento ou a infância de Nossa Senhora. Os nomes de seus pais, São Joaquim e Sant’Ana, foram transmitidos pela antiga tradição cristã.
A liturgia contempla o nascimento de Maria como a aurora que antecede o nascimento de Cristo. Assim como a luz da manhã anuncia a chegada do sol, a Natividade da Virgem anuncia a proximidade do Salvador.
Maria nasceu para uma missão única. Em sua humildade e obediência, acolheu o chamado de Deus e respondeu ao anjo Gabriel: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Seu nascimento é celebrado porque sua vida estaria inteiramente ligada ao mistério de Jesus. Maria foi preparada para ser a Mãe de Deus, acompanhar o Filho até a cruz e permanecer junto à Igreja nascente.
PADRE ANTÔNIO VIEIRA E O NASCIMENTO DE MARIA
O padre Antônio Vieira, um dos maiores pregadores da língua portuguesa, apresentou de maneira profundamente poética o significado da Natividade de Nossa Senhora.
No “Sermão do Nascimento da Mãe de Deus”, Vieira convida os fiéis a compreenderem a grandeza da celebração observando a missão para a qual Maria nasceu:
“Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dela nascesse Deus.”
O pregador prossegue mostrando como os diferentes títulos atribuídos a Nossa Senhora revelam sua presença materna junto às necessidades e aos sofrimentos da humanidade:
“Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.”
Vieira continua:
“Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória.”
O sermão recorda ainda outros títulos por meio dos quais o povo cristão recorre à intercessão da Virgem:
“Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.”
Ao final, o padre Antônio Vieira reúne todas essas invocações em uma única afirmação:
“E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus.”
MARIA CONDUZ A CRISTO
Os títulos marianos mencionados no sermão não apresentam diferentes pessoas, mas expressam as diversas formas pelas quais os fiéis experimentam a intercessão materna da única Virgem Maria.
Nossa Senhora é chamada de Saúde dos Enfermos, Consoladora dos Aflitos, Auxílio dos Cristãos e Esperança dos Desesperados porque conduz seus filhos até Jesus Cristo, fonte de toda graça e salvação.
A verdadeira devoção mariana nunca termina em Maria. Ela aponta sempre para o seu Filho, repetindo aos cristãos as palavras pronunciadas nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).
Ao celebrar o nascimento de Nossa Senhora, a Igreja contempla uma vida inteiramente entregue à vontade de Deus.
UMA FESTA DA ESPERANÇA
A Natividade da Virgem Maria é uma celebração de esperança. Seu nascimento mostra que Deus prepara silenciosamente os caminhos para cumprir suas promessas.
Quando Maria nasceu, o mundo ainda não conhecia o rosto de Cristo. Entretanto, naquela menina já se encontrava o início da resposta divina à espera de gerações.
Para os cristãos, a festa também representa um chamado à confiança. Mesmo quando não conseguimos compreender os acontecimentos, Deus permanece atuando e preparando a realização de seus planos.
Celebrar o nascimento de Maria é agradecer por sua disponibilidade, por sua maternidade espiritual e por sua presença na vida da Igreja.
É também pedir que Nossa Senhora nos ensine a escutar a Palavra, guardar Cristo no coração e servir aos irmãos com humildade.
ORAÇÃO
Santíssima Virgem Maria, escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, acolhei nossas necessidades e conduzi-nos sempre ao vosso Filho.
Senhora da Saúde, socorrei os enfermos. Senhora da Consolação, amparai os que sofrem. Senhora da Esperança, fortalecei os que se encontram desanimados. Senhora da Paz, intercedei por nossas famílias e por todo o mundo.
Ensinai-nos a dizer “sim” à vontade de Deus e a permanecer fiéis a Jesus Cristo em todos os momentos de nossa vida.
Nossa Senhora da Natividade, rogai por nós!
Marcelo Rodrigues, presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos
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