15 DE SETEMBRO — NOSSA SENHORA DAS DORES

Igreja

IGREJA RECORDA A PARTICIPAÇÃO DA VIRGEM MARIA NA PAIXÃO DE CRISTO E CONVIDA OS FIÉIS A MEDITAREM SUAS SETE DORES

Memória litúrgica recorda a Mãe que permaneceu fiel junto à Cruz e apresenta aos cristãos um exemplo de fé, fortaleza e esperança diante do sofrimento

No dia 15 de setembro, a Igreja Católica celebra a memória de Nossa Senhora das Dores, também chamada de Virgem Dolorosa ou Mater Dolorosa.

Celebrada logo depois da festa da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro, a memória convida os fiéis a contemplarem a profunda união entre a Virgem Maria e seu Filho Jesus Cristo durante os acontecimentos da Paixão.

A devoção às dores de Nossa Senhora desenvolveu-se ao longo dos séculos. Em 1913, o Papa São Pio X estabeleceu a celebração em 15 de setembro, data conservada no calendário litúrgico da Igreja.

Sob o título de Nossa Senhora das Dores, os católicos honram a dor acolhida por Maria em sua participação singular no mistério da Redenção. Ela permaneceu ao lado de Cristo desde os primeiros sinais de perseguição até o Calvário, quando acompanhou o sofrimento e a morte do Filho.

JUNTO À CRUZ, MARIA TORNA-SE MÃE DOS DISCÍPULOS

O Evangelho de São João apresenta Maria permanecendo junto à Cruz enquanto Jesus era crucificado. Naquele momento, Cristo dirigiu-se à sua Mãe e ao discípulo amado:

“Mulher, eis aí o teu filho.” Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe” (Jo 19,26-27).

A tradição católica reconhece nessas palavras a entrega espiritual de Maria a todos os discípulos de Cristo. Ao pé da Cruz, a Mãe de Jesus torna-se também Mãe da Igreja e de todos aqueles que são incorporados ao Corpo Místico de Cristo.

Maria não abandonou o Filho, mesmo diante da incompreensão, da violência e da morte. Sua presença silenciosa no Calvário revela uma fé que permanece firme, mesmo quando tudo parece perdido.

A dor de Nossa Senhora, portanto, não representa desespero ou ausência de esperança. É a dor de uma Mãe que sofre, mas continua confiando plenamente em Deus.

AS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

A piedade cristã reuniu simbolicamente sete acontecimentos narrados ou contemplados a partir dos Evangelhos que expressam a participação de Maria nos sofrimentos de Jesus.

As Sete Dores de Nossa Senhora são:

  1. A profecia de Simeão

Ao apresentar o Menino Jesus no Templo, Maria ouviu do velho Simeão que uma espada atravessaria sua alma. A profecia anunciava os sofrimentos que ela enfrentaria por causa da missão de seu Filho.

  1. A fuga da Sagrada Família para o Egito

Perseguido por Herodes, o Menino Jesus precisou fugir para o Egito com Maria e São José. Nossa Senhora conheceu o medo, a insegurança e a condição de uma mãe que precisava proteger o próprio filho.

  1. A perda do Menino Jesus no Templo

Durante uma peregrinação a Jerusalém, Maria e José perderam Jesus, então com 12 anos. Depois de três dias de procura angustiante, encontraram-no no Templo, entre os doutores da Lei.

  1. O encontro de Maria com Jesus a caminho do Calvário

A tradição contempla o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho durante o caminho para o Gólgota. Maria presencia Jesus carregando a Cruz, humilhado, ferido e condenado à morte.

  1. A crucificação e a morte de Jesus

No Calvário, Maria permanece junto à Cruz e acompanha os últimos momentos da vida terrena do Filho. Ela contempla Jesus crucificado e entrega sua dor ao plano de Deus.

  1. Maria recebe o corpo de Jesus retirado da Cruz

Depois da morte de Cristo, seu corpo é retirado da Cruz. A piedade cristã contempla Maria recebendo nos braços o Filho morto, cena eternizada na tradição artística e espiritual da Igreja.

  1. O sepultamento de Jesus

Maria acompanha o sepultamento do Filho e enfrenta o silêncio do túmulo, conservando no coração a fé nas promessas de Deus e aguardando a vitória da Ressurreição.

RAINHA DOS MÁRTIRES

Nossa Senhora das Dores também é invocada como Rainha dos Mártires. Embora não tenha sofrido o martírio corporal, Maria viveu um verdadeiro martírio espiritual ao acompanhar os sofrimentos e a morte de Jesus.

A espada anunciada por Simeão atravessou seu coração. Ainda assim, ela não abandonou a fé, não se afastou do Filho e não permitiu que a dor destruísse sua confiança em Deus.

Por isso, os cristãos recorrem à Virgem Dolorosa nos momentos de sofrimento, luto, enfermidade, perseguição, solidão e provação.

Contemplar suas dores é aprender que a Cruz, quando carregada com Cristo, não conduz ao desespero, mas à esperança e à vida nova.

A DEVOÇÃO DAS SETE AVE-MARIAS

Uma antiga tradição devocional, difundida a partir de revelações atribuídas a Santa Brígida da Suécia, recomenda a oração diária de sete Ave-Marias, cada uma oferecida em honra de uma das principais dores e lágrimas da Santíssima Virgem.

Segundo essa tradição espiritual, Nossa Senhora teria prometido sete graças aos que praticassem essa devoção com fé e perseverança:

  1. “Porei a paz em suas famílias.”
  2. “Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.”
  3. “Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei em seus trabalhos.”
  4. “Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas.”
  5. “Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.”
  6. “Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de sua Mãe Santíssima.”
  7. “Obtive de meu Filho que os que propagarem esta devoção às minhas Lágrimas e Dores sejam conduzidos da vida terrena à felicidade eterna, pois seus pecados serão perdoados, e meu Filho e Eu seremos sua eterna consolação e alegria.”

Por estarem relacionadas a revelações privadas e tradições devocionais, essas promessas devem ser compreendidas à luz da fé católica: não como fórmulas automáticas de salvação, mas como um convite à oração, à conversão, à penitência, à confiança em Deus e à imitação das virtudes de Maria.

AS GRAÇAS ATRIBUÍDAS AOS DEVOTOS DA VIRGEM DOLOROSA

Também é atribuída a Santo Afonso Maria de Ligório a divulgação de quatro graças prometidas por Nosso Senhor Jesus Cristo aos devotos que honram as dores de sua Santíssima Mãe:

  1. O devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores receberá a graça de realizar, antes da morte, verdadeira penitência por seus pecados.
  2. Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá no coração desses devotos a memória de sua Paixão e lhes concederá a recompensa no Céu.
  3. Jesus Cristo os guardará nas tribulações, especialmente na hora da morte.
  4. Por fim, Jesus os entregará aos cuidados de sua Mãe, para que ela os conduza e lhes obtenha as graças necessárias à salvação.

Assim como as promessas associadas a Santa Brígida, essas graças devem ser acolhidas no contexto da espiritualidade e da devoção privada, sempre subordinadas ao Evangelho, aos sacramentos e aos ensinamentos da Igreja.

UM PEDIDO À MÃE DAS DORES

Nesta memória litúrgica, os cristãos são convidados a entregar suas dores à Santíssima Virgem e pedir que ela os ensine a permanecer junto à Cruz de Cristo.

Peçamos à Rainha dos Mártires que nos mantenha afastados do pecado e nos alcance força, auxílio, perseverança e paciência para carregarmos nossa cruz diária.

Que Maria acompanhe as mães que choram por seus filhos, as famílias enlutadas, os enfermos, os perseguidos, os abandonados e todos aqueles que enfrentam provações.

Diante da dor, Nossa Senhora não perdeu a fé. Diante da Cruz, não abandonou Jesus. Diante do sepulcro, continuou confiando nas promessas de Deus.

Que seu exemplo nos ensine a transformar o sofrimento em oração, a dor em entrega e as lágrimas em esperança.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos

Fontes consultadas: “Vatican News — Nossa Senhora das Dores” (https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/09/15.html) e “CNBB — Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores” (https://www.cnbb.org.br/em-15-de-setembro-igreja-celebra-memoria-de-nossa-senhora-das-dores/)

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