Diferenças expressivas no governo estadual e no Senado exigem explicações; na Presidência, levantamento acertou a liderança, mas subestimou a votação de Flávio Bolsonaro
Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
A votação de 4 de outubro expôs diferenças importantes entre pesquisas eleitorais e resultados no Rio de Janeiro. Levantamentos próximos ao primeiro turno mostraram um cenário distante daquele registrado nas urnas, especialmente na disputa pelo governo estadual e em parte das estimativas para o Senado.
Os números justificam uma cobrança por transparência e avaliação dos métodos. Entretanto, a comparação também mostra que os institutos tiveram desempenhos diferentes e que não cabe atribuir o mesmo erro a todas as pesquisas.
GOVERNO: A INVERSÃO MAIS EXPRESSIVA
No levantamento Datafolha realizado em 2 e 3 de outubro, no cenário com Anthony Garotinho, Eduardo Paes aparecia com 46% dos votos válidos e Douglas Ruas com 38%. A margem de erro informada era de dois pontos percentuais.
Na apuração que ainda incluía os votos de Garotinho, Ruas alcançou 49,27%, enquanto Paes ficou com 42,76%. O candidato do PL terminou 11,27 pontos acima da estimativa; o ex-prefeito, 3,24 pontos abaixo.
A Quaest também apontava Paes à frente: 49%, contra 40% de Ruas, em votos válidos no cenário com Garotinho. As urnas inverteram essa ordem.
A posterior anulação dos votos de Garotinho altera os percentuais e abre caminho para a vitória de Ruas no primeiro turno. Contudo, a diferença entre pesquisa e votação já existia antes dessa mudança judicial.
SENADO: FAVORITISMO DE BENEDITA NÃO SE CONFIRMOU
O Datafolha apontava Benedita da Silva com 26% dos votos válidos na véspera da eleição. Nas urnas, a candidata recebeu 20,22% e ficou fora das duas vagas.
Carlos Portinho e Carlos Jordy foram eleitos com 26,77% e 24,56%, respectivamente. No levantamento publicado pelo próprio Datafolha, apareciam com 19% e 18%.
Nesse caso, houve superestimação de Benedita e subestimação dos dois eleitos. Mas a última Quaest já colocava Portinho e Jordy numericamente à frente, com 23% e 22%, contra 21% de Benedita, em empate técnico. Portanto, o favoritismo da petista não era unânime entre os levantamentos finais.
PRESIDÊNCIA: LIDERANÇA CORRETA, VANTAGEM SUBESTIMADA
Na pesquisa Datafolha realizada entre 28 de setembro e 1º de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 48% dos votos válidos no Rio, contra 40% de Lula. A margem de erro estadual era de três pontos.
Na votação fluminense, Flávio recebeu 53,01% e Lula, 39,41%. O levantamento identificou corretamente o líder, mas Flávio terminou 5,01 pontos acima da estimativa. A diferença para Lula chegou a 13,60 pontos, diante dos oito pontos indicados pela pesquisa.
TRANSPARÊNCIA PARA RECUPERAR A CONFIANÇA
Pesquisas medem intenções em determinado período, e mudanças de voto e comparecimento podem produzir diferenças. Isso não elimina a necessidade de explicar discrepâncias expressivas.
Uma avaliação responsável deve examinar amostragem, ponderação, indecisos e participação eleitoral. Os resultados apresentados não demonstram, por si, manipulação, mas sustentam uma cobrança legítima: institutos e veículos precisam explicar ao público por que determinadas estimativas ficaram tão distantes das urnas.


