Uma nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã elevou a tensão no Oriente Médio nesta quinta-feira (11). O governo iraniano anunciou o fechamento total do Estreito de Ormuz “até novo aviso” e afirmou que os recentes bombardeios norte-americanos tornaram o cessar-fogo em vigor desde abril “praticamente sem sentido”.
A decisão foi divulgada após uma nova onda de ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos localizados próximos à estratégica região de Ormuz, considerada uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os bombardeios como uma “violação flagrante” do acordo de cessar-fogo e responsabilizou Washington pelas consequências do agravamento do conflito.
“Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos Estados Unidos tornam o cessar-fogo praticamente sem sentido”, afirmou o governo iraniano.
Como resposta às ofensivas americanas, o Irã informou ter atacado embarcações que, segundo Teerã, estariam desrespeitando o bloqueio naval imposto na região. Autoridades indianas confirmaram um incidente envolvendo um navio próximo ao porto de Shinas, em Omã. Apesar de relatos iniciais sobre possíveis mortes, o governo da Índia informou que todos os 20 cidadãos indianos que estavam a bordo encontram-se em segurança.
Os Estados Unidos declararam que os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, radares, centros de comando e estruturas ligadas à vigilância militar iraniana.
“O objetivo é responder à agressão contínua do Irã. As forças americanas permanecem vigilantes e prontas para agir”, informou o Comando Central dos Estados Unidos.
Durante entrevista à emissora Fox News, o presidente Donald Trump afirmou que aeronaves militares americanas estavam operando no espaço aéreo iraniano e declarou ter mantido contato com autoridades de Teerã. Segundo Trump, representantes iranianos teriam pedido o fim dos bombardeios. O governo iraniano negou que qualquer conversa desse tipo tenha ocorrido.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também anunciou ataques retaliatórios contra instalações militares norte-americanas no Bahrein, incluindo bases aéreas utilizadas pela Quinta Frota dos Estados Unidos. Explosões foram registradas na capital Manama e em outras áreas do país.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que uma criança de 11 anos ficou ferida durante os ataques e que residências e veículos foram danificados por destroços de drones interceptados.
Segundo autoridades americanas, esta é a segunda ofensiva militar realizada pelos Estados Unidos contra o Irã desde o início do cessar-fogo firmado em abril. Washington afirma que a primeira ação ocorreu após a derrubada de um helicóptero Apache pelas forças iranianas.
Agências estatais iranianas relataram explosões em diversas cidades portuárias, incluindo Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, além da ativação de sistemas de defesa aérea em Isfahan. Também foram registrados relatos de confrontos marítimos entre forças iranianas e norte-americanas na região do Golfo.
O fechamento do Estreito de Ormuz aumenta a preocupação da comunidade internacional, já que a passagem é considerada estratégica para o comércio global de energia. Analistas alertam que qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo poderá provocar impactos significativos nos mercados internacionais e elevar ainda mais a instabilidade na região.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre uma retomada das negociações entre Washington e Teerã, enquanto o risco de ampliação do conflito permanece elevado.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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