22 DE JUNHO | SÃO TOMÁS MORE E SÃO JOÃO FISHER: MÁRTIRES DA FÉ E DA FIDELIDADE À IGREJA

Igreja

Neste dia 22 de junho, a Igreja Católica celebra a memória de dois grandes mártires ingleses do século XVI: São Tomás More (1478-1535) e São João Fisher (1469-1535). Ambos deram a própria vida em defesa da fé católica, da unidade da Igreja e da indissolubilidade do matrimônio, tornando-se exemplos de coragem, coerência e fidelidade ao Evangelho.

São Tomás More: o político que colocou Deus acima do poder

Nascido em Chelsea, Londres, em 1478, Tomás More destacou-se desde jovem pela inteligência brilhante e pela profunda formação cristã recebida de seus pais. Aos treze anos, passou a servir o arcebispo de Canterbury, que reconheceu seu talento e o encaminhou para os estudos na Universidade de Oxford.

Formou-se em Direito, tornou-se professor renomado e conquistou prestígio como intelectual, escritor e homem público. Autor de obras importantes como Utopia, O Diálogo do Conforto Contra as Tribulações e a famosa Oração para o Bom Humor, Tomás More marcou a literatura universal e a história da filosofia política.

Casado e pai de quatro filhos, foi exemplo de esposo dedicado e de pai amoroso. Apesar da posição social elevada, jamais abandonou os pobres e necessitados, que encontravam em sua casa acolhimento e auxílio.

Em 1529, ocupava o cargo de chanceler do Parlamento da Inglaterra durante o reinado de Henrique VIII. Quando o rei decidiu romper com a Igreja Católica para divorciar-se da rainha Catarina de Aragão e casar-se com Ana Bolena, Tomás More recusou-se a apoiar a medida.

A resistência ao chamado Ato de Supremacia, que transformava o rei em chefe da Igreja da Inglaterra, levou-o à prisão. Mesmo diante das pressões da família e das ameaças do governo, recusou-se a renegar sua fé.

Foi decapitado em 6 de julho de 1535. Antes de morrer, declarou:

“Morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus.”

Em 2000, o Papa São João Paulo II proclamou São Tomás More Padroeiro dos Políticos e Governantes.

São João Fisher: o bispo que enfrentou o rei

João Fisher nasceu em Beverley, na Inglaterra, em 1469. Órfão de pai ainda jovem, destacou-se nos estudos e tornou-se professor aos vinte anos. Mais tarde ingressou na Universidade de Cambridge, onde obteve doutorado e exerceu importantes cargos acadêmicos.

Ordenado sacerdote, foi eleito bispo de Rochester aos 35 anos. Conhecido por sua vida austera, dedicava-se intensamente aos pobres, aos estudos e à defesa da fé católica.

Durante a crise provocada pelo divórcio de Henrique VIII, João Fisher foi uma das primeiras vozes a denunciar a ilegalidade do ato e a defender a validade do matrimônio entre o rei e Catarina de Aragão.

Quando o Parlamento inglês declarou Henrique VIII chefe supremo da Igreja na Inglaterra, Fisher posicionou-se firmemente contra a medida, afirmando que substituir o Papa pelo rei significava atacar a própria Igreja fundada por Cristo.

Por sua fidelidade à fé católica, foi preso na Torre de Londres. Mesmo encarcerado, recebeu do Papa Paulo III a nomeação para cardeal. A reação do rei foi imediata: ordenou sua execução.

São João Fisher foi decapitado em 22 de junho de 1535. Antes da morte, reafirmou publicamente que entregava sua vida pela defesa da Igreja Católica e da autoridade do Papa.

Um testemunho que atravessa os séculos

Poucos dias após a execução de João Fisher, Tomás More também foi conduzido ao martírio. Amigos e companheiros de luta, ambos preferiram perder a própria vida a negar a verdade que professavam.

Em 1935, o Papa Pio XI canonizou os dois santos na mesma cerimônia, estabelecendo o dia 22 de junho como memória litúrgica conjunta.

O testemunho de São Tomás More e São João Fisher continua atual para todos os cristãos, especialmente para aqueles que exercem funções públicas. Em uma época marcada por pressões políticas e religiosas, ambos demonstraram que a fidelidade a Deus deve estar acima de qualquer interesse humano.

São Tomás More e São João Fisher, rogai por nós!

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Rede Católica News

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