Em meio aos elogios que vem recebendo à frente do Governo do Estado do Rio de Janeiro, uma pergunta tem se repetido entre eleitores e observadores da política fluminense: por que Ricardo Couto não se candidata ao cargo de governador?
A resposta é simples: ele não pode disputar as eleições deste ano, mesmo que desejasse.
Atualmente no comando do Palácio Guanabara, Ricardo Couto ocupa o cargo de governador interino por ser presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Como magistrado de carreira, ele não possui filiação partidária e não cumpriu os prazos legais exigidos para disputar uma eleição.
Impedimento legal
Para concorrer a qualquer cargo eletivo, Couto teria que ter deixado a magistratura dentro do prazo estabelecido pela legislação eleitoral, antes do mês de abril deste ano. Como isso não ocorreu, seu nome não pode ser registrado como candidato junto à Justiça Eleitoral.
Dessa forma, apesar das manifestações de apoio que tem recebido e das especulações sobre uma eventual candidatura, Ricardo Couto não integra o quadro de pré-candidatos ao governo estadual.
Como chegou ao Palácio Guanabara
Ricardo Couto assumiu o Governo do Estado em 23 de março de 2026, após a renúncia do então governador Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar o Senado Federal, mas acabou tendo o mandato cassado.
Sem filiação partidária e exercendo a presidência do Tribunal de Justiça, Couto passou a comandar o Executivo estadual por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a situação jurídica do estado aguarda definição e a eventual convocação de novas eleições.
Desde que assumiu o cargo, o governador interino tem promovido uma ampla reestruturação administrativa, marcada principalmente pela redução de cargos comissionados e por medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.
Lula chama Couto de “interventor”
A discussão em torno da permanência de Ricardo Couto no comando do estado ganhou novos contornos nesta segunda-feira (22), durante a cerimônia de adesão do Rio de Janeiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referiu-se ao governador interino como “interventor”.
“Tudo o que eu desejo é que, ao cumprir sua tarefa de interventor do Rio de Janeiro, o povo saiba que não pode eleger ninguém que não faça aquilo que você está fazendo: cuidar do povo do Rio de Janeiro. Portanto, parabéns, governador”, declarou Lula.
A fala repercutiu imediatamente no meio político fluminense. O termo utilizado pelo presidente coincide com críticas feitas por integrantes do Partido Liberal (PL), que questionam a permanência de Couto no cargo.
Aliados do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), sustentam que a manutenção do magistrado no Executivo representa uma espécie de intervenção do STF na política estadual.
Enquanto o debate político continua, Ricardo Couto segue exercendo suas funções à frente do Governo do Estado, sem possibilidade legal de disputar as eleições deste ano, permanecendo no cargo até que haja uma definição jurídica sobre a sucessão estadual.
Reportagem: Marcelo Rodrigues | Rede Católica News



