Governador interino afirma que não possui legitimidade conferida pelo voto popular, mas ressalta que sua permanência no cargo segue a Constituição
O governador interino do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, afirmou que assumiu o comando do Executivo estadual em um momento de forte resistência política e institucional. Em entrevista concedida à revista Veja, Couto declarou que enfrentou dificuldades até mesmo entre pessoas próximas e reconheceu que não chegou ao cargo por meio do voto popular, mas pela linha sucessória prevista na Constituição.
“Legitimidade popular eu não tenho, mas constitucional, sim”, afirmou o governador interino, ao comentar sua chegada ao Palácio Guanabara após a saída de Cláudio Castro do cargo. Na época, Couto presidia o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e assumiu o governo em razão da sucessão constitucional.
Durante a entrevista, Ricardo Couto também afirmou que encontrou “muita coisa estranha” ao iniciar a administração estadual. Entre os casos mencionados está um contrato de aproximadamente R$ 50 milhões destinado à produção de cursos on-line. Segundo o governador, auditorias internas apontaram indícios de que o material não teria sido gravado e que haveria inconsistências no cadastro de alunos. Os fatos, segundo ele, estão sendo apurados e deverão ser encaminhados ao Ministério Público.
Desde que assumiu o governo, Couto afirma ter adotado medidas voltadas à reorganização administrativa, incluindo revisão de contratos, contenção de despesas e auditorias em contratos públicos. Em abril, o governo estadual anunciou a realização de auditorias em contratos superiores a R$ 1 milhão e a limitação de novas licitações sem cobertura orçamentária.
A declaração sobre a ausência de legitimidade popular reacendeu o debate sobre a condução do governo interino. Embora tenha assumido o cargo conforme as regras constitucionais de sucessão, Ricardo Couto reconhece que sua administração não resulta de eleição direta, mas defende que o Estado não poderia permanecer sem comando enquanto a definição política permanece em aberto.
Além das auditorias administrativas, o governo interino também busca enfrentar a situação fiscal do Estado. Em junho, Ricardo Couto esteve em Brasília para discutir a dívida do Rio de Janeiro com a União e apresentou medidas voltadas à redução de gastos públicos, incluindo a exoneração de cargos comissionados.
As declarações do governador ampliaram o debate sobre os limites da legitimidade política em governos de transição. Enquanto aliados defendem que a sucessão constitucional garante segurança institucional e continuidade administrativa, críticos sustentam que a ausência de eleição direta torna decisões de grande impacto político mais sensíveis.
As investigações citadas pelo governador permanecem em andamento. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual prática de irregularidades ou responsabilização dos envolvidos nos contratos mencionados.



