Por Marcelo Rodrigues
A Igreja Católica enfrenta mais um episódio de tensão envolvendo grupos tradicionalistas. Os Redentoristas Transalpinos, sediados na Escócia, anunciaram que pretendem realizar, no próximo dia 25 de julho de 2026, a ordenação do padre Michael Mary como bispo sem o mandato do Papa, decisão que contraria a disciplina da Igreja e reacende preocupações sobre a unidade e a comunhão eclesial.
Segundo informações divulgadas pelo grupo, a decisão foi motivada pela rejeição às reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, posicionamento que aproxima o episódio do ocorrido com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em momentos de ruptura com a Santa Sé.
A iniciativa foi duramente criticada pelo bispo de Aberdeen, que classificou a ordenação como um grave ato de desobediência à Igreja. Conforme o Código de Direito Canônico, a consagração episcopal realizada sem mandato pontifício constitui uma violação gravíssima da disciplina eclesiástica e pode acarretar excomunhão automática (latae sententiae) tanto para o bispo consagrante quanto para o sacerdote que recebe a ordenação.
O episódio representa mais um desafio para o pontificado do Papa Leão XIV, que tem reiterado a importância da comunhão e da fidelidade ao sucessor de São Pedro como elementos fundamentais para a unidade da Igreja. A Santa Sé acompanha atentamente os desdobramentos do caso, enquanto diversas autoridades eclesiásticas têm alertado os fiéis sobre as consequências canônicas da participação em cerimônias realizadas sem autorização do Romano Pontífice.
A liderança da Igreja reafirmou sua posição de que atos de insubordinação à Sé de Roma comprometem a unidade eclesial e não encontram respaldo na disciplina católica. Ao mesmo tempo, permanece aberto o chamado ao diálogo e à reconciliação, sempre fundamentados na comunhão com o Papa e na fidelidade ao Magistério da Igreja.


