Reportagem: Marcelo Rodrigues
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, repudiou a declaração feita pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o ministro Alexandre de Moraes durante um encontro político realizado neste sábado (25), em São Paulo. Para Fachin, a fala do chefe de Estado argentino ultrapassou os limites do respeito institucional e atingiu um integrante da mais alta Corte do Judiciário brasileiro.
Em manifestação oficial, Fachin reafirmou a independência da Justiça brasileira e destacou que as decisões judiciais são tomadas com base na Constituição Federal e nas leis vigentes no país. O presidente do STF também ressaltou que ataques dessa natureza não condizem com a postura diplomática esperada nas relações entre nações soberanas.
Javier Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL), evento que confirmou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República. Durante seu discurso, marcado por críticas ao socialismo e ao governo brasileiro, o presidente argentino chamou o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” ao comentar a decisão que impediu uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pedido de visita havia sido apresentado pela defesa de Bolsonaro na semana anterior, mas foi negado por Alexandre de Moraes. Após a decisão, Milei divulgou uma mensagem pública ao ex-presidente brasileiro, lamentando não poder encontrá-lo pessoalmente e classificando a situação como injusta.
O presidente argentino também comparou o episódio ao período em que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso, lembrando que autoridades internacionais puderam visitá-lo naquela ocasião. Na avaliação de Milei, a negativa à visita de Bolsonaro representaria um tratamento desigual e teria motivação política.
Em resposta, Edson Fachin reforçou que a autonomia do Poder Judiciário brasileiro deve ser preservada e condenou manifestações ofensivas feitas por representantes estrangeiros em território nacional. O ministro reiterou que a independência entre os Poderes e o respeito às instituições são pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito.


