Por Marcelo Rodrigues
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições presidenciais deste ano. A declaração foi feita durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao Governo de São Paulo.
Em seu discurso, Lula ressaltou que o povo brasileiro é o único responsável por decidir o futuro político do país e afirmou que nenhuma nação deve interferir no processo eleitoral brasileiro.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata, eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas vou dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço, uma coisa aprendida com uma mãe analfabeta: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter. Caráter e vergonha você nasce de berço, aprende com o pai e a mãe”, declarou.
Na sequência, o presidente reforçou o tom do discurso ao afirmar que qualquer tentativa de influência externa será rejeitada.
“Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, afirmou.
As declarações acontecem após o governo brasileiro negar o visto de entrada a uma delegação dos Estados Unidos que pretendia visitar o país para discutir temas relacionados ao processo eleitoral e à liberdade de expressão.
A comitiva era composta por Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado norte-americano, e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto do mesmo órgão.
Segundo informações divulgadas, a visita gerou preocupação entre autoridades brasileiras por ocorrer poucos meses antes das eleições e após declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Diante desse cenário, o Ministério das Relações Exteriores optou por negar a entrada dos representantes norte-americanos, alegando preocupação com qualquer iniciativa que pudesse ser interpretada como interferência no processo democrático brasileiro.
O episódio amplia a tensão política em torno da disputa presidencial e reacende o debate sobre soberania nacional, relações diplomáticas e confiança no sistema eleitoral brasileiro, temas que devem permanecer no centro das discussões durante a campanha de 2026.


