SÉRIE ESPECIAL – A VIDA DOS SANTOS

Igreja

28 DE JULHO
SÃO NAZÁRIO E SÃO CELSO
Os mártires que caminharam sobre as águas

Por Marcelo Rodrigues

A Igreja Católica celebra, no dia 28 de julho, a memória de São Nazário e São Celso, dois grandes mártires do século I que testemunharam a fé em Jesus Cristo com coragem, milagres e fidelidade até o derramamento do próprio sangue.

São Nazário nasceu em Roma, filho de Africano, um pagão, e de Perpétua, uma cristã fervorosa. Enquanto seu pai desejava vê-lo servindo aos deuses do Império Romano, sua mãe o educou na fé cristã. Ainda criança, aos nove anos de idade, Nazário pediu para receber o Batismo, demonstrando uma maturidade espiritual incomum. O sacramento foi administrado pelo Papa São Lino, primeiro sucessor de São Pedro, que passou a contar com o jovem entre seus colaboradores mais próximos.

Mais tarde, Nazário ingressou no exército romano, percorrendo diversas regiões da Itália. Entretanto, sua verdadeira missão era anunciar o Evangelho. Sempre que podia, pregava Cristo, convertendo muitos corações. Sua atividade missionária despertou a perseguição das autoridades imperiais. Preso por causa da fé, conseguiu fugir e, obedecendo a uma inspiração recebida em sonho, deixou a Itália para continuar sua missão na Gália, atual França.

Foi na cidade de Cimiez, próxima de Nice, que ocorreu um dos momentos mais marcantes de sua história. Após converter uma nobre senhora ao cristianismo, recebeu dela a responsabilidade de formar espiritualmente seu filho, o jovem Celso. O adolescente tornou-se discípulo inseparável de Nazário, acompanhando-o em todas as viagens missionárias.

Juntos, percorreram diversas cidades anunciando Jesus Cristo. A tradição relata que numerosos milagres aconteciam durante suas pregações, fortalecendo a fé dos cristãos e levando muitos pagãos à conversão. O crescimento das comunidades cristãs chamou a atenção das autoridades, que passaram a persegui-los.

Na cidade de Tréveris, atual Trier, na Alemanha, ambos foram presos e condenados à morte. Segundo a tradição cristã, os soldados lançaram Nazário e Celso na confluência dos rios Sarre e Mosela. Porém, em vez de afundarem, os dois permaneceram sobre as águas e caminharam diante de todos, num sinal extraordinário da proteção divina. Impressionados com o milagre, os perseguidores desistiram de executá-los naquele momento e apenas os expulsaram da região.

A missão prosseguiu até Milão, onde novamente enfrentaram a perseguição durante o governo do imperador Nero. Desta vez, a sentença foi cumprida: Nazário e Celso foram decapitados por se recusarem a renunciar à fé cristã, tornando-se mártires da Igreja.

Mais de trezentos anos depois, em 396, Santo Ambrósio, bispo de Milão, recebeu durante a oração uma revelação indicando o local onde estavam sepultados os dois santos. Ao abrir o túmulo de São Nazário, encontrou seu corpo preservado de maneira impressionante. A cabeça permanecia intacta, com cabelos e barba conservados, e a tradição relata que ainda escorria sangue, como se o martírio tivesse ocorrido naquele instante. Próximo dali também foi encontrado o corpo de São Celso, confirmando a antiga tradição cristã.

Foi o próprio Santo Ambrósio quem transmitiu esse testemunho a São Paulino de Nola, permitindo que a memória dos dois mártires chegasse até nossos dias. Posteriormente, suas relíquias foram distribuídas por igrejas da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla, difundindo a devoção por todo o mundo cristão.

A história de São Nazário e São Celso recorda que a fidelidade a Cristo exige coragem, perseverança e confiança absoluta em Deus. Mesmo diante da perseguição e da morte, permaneceram firmes na missão de anunciar o Evangelho, tornando-se exemplos luminosos de santidade para todas as gerações.

São Nazário e São Celso, rogai por nós!

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