EDITORIAL RCNEWS

Política

O LADO SUJO DA POLÍTICA

O caso Alfredo Gaspar ultrapassou há muito tempo os limites de uma simples disputa entre adversários. O que está em jogo agora é algo muito maior: até onde alguém pode ir para destruir a reputação de outro ser humano em nome da política?

Lindbergh Farias e Soraya Thronicke levaram às autoridades uma acusação gravíssima contra o deputado Alfredo Gaspar. Tratava-se de uma imputação capaz de destruir uma carreira política, uma família e uma reputação construída durante décadas.

Acusar alguém de estupro de vulnerável não é retórica eleitoral. Não é provocação de plenário. Não é uma frase que simplesmente desaparece quando o debate termina.

É uma acusação devastadora.

Agora, o surgimento de um depoimento encaminhado pela Câmara dos Deputados ao Supremo Tribunal Federal acrescenta uma dimensão ainda mais perturbadora ao episódio: a alegação de que poderia ter existido uma armação para fabricar a acusação.

É fundamental deixar algo absolutamente claro: essa suposta trama ainda precisa ser comprovada pelas autoridades. Lindbergh nega envolvimento, e não existe, até o momento, decisão judicial estabelecendo que ele ou Soraya tenham organizado uma acusação falsa.

Mas justamente por isso a investigação precisa chegar até o fim.

Sem proteção política. Sem conveniência eleitoral. Sem dois pesos e duas medidas.

Se ficar comprovado que alguém fabricou testemunhas, identidades ou histórias para atribuir falsamente a um adversário um crime sexual, estaremos diante de uma das formas mais repugnantes de utilização da política.

E os responsáveis, sejam eles quem forem, deverão responder exemplarmente dentro da lei.

Por outro lado, se a investigação demonstrar que a denúncia original possuía fundamento, isso também deverá ser apresentado à sociedade com toda clareza.

O que não pode existir é julgamento por conveniência ideológica.

NÃO SE DESTRÓI UMA PESSOA PARA VENCER UMA ELEIÇÃO

Existe uma fronteira moral que nenhuma disputa política pode ultrapassar.

A divergência faz parte da democracia. A oposição é legítima. A fiscalização é indispensável. Denunciar às autoridades fatos dos quais se tenha conhecimento também é um direito — e, em determinadas situações, um dever.

Mas fabricar crimes, testemunhas ou provas, caso isso seja comprovado, não é oposição.

É perversão da política.

Quem acredita que vale tudo para derrotar um adversário já abandonou a democracia antes mesmo de chegar às urnas.

Direita, esquerda ou centro não podem relativizar esse princípio.

Se um adversário cometeu um crime, investigue-se.

Se existem provas, apresentem-se.

Se existem vítimas, protejam-se.

Mas jamais se pode transformar uma acusação criminal em instrumento de execução política de reputações.

A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA NÃO TEM PARTIDO

Existe ainda uma lição que deveria ser elementar em qualquer sociedade civilizada: ninguém deve ser condenado antecipadamente pela opinião pública simplesmente porque uma acusação foi lançada contra ele.

Alfredo Gaspar tinha e continua tendo direito à presunção de inocência.

Da mesma maneira, Lindbergh Farias e Soraya Thronicke não podem agora ser declarados culpados por uma suposta armação antes que essa hipótese seja comprovada.

Seria contraditório denunciar um possível linchamento moral praticando outro.

O RCNEWS não fará isso.

Mas também não aceitará que uma acusação dessa gravidade seja simplesmente esquecida caso fique demonstrado que houve fabricação deliberada de uma narrativa criminosa.

SE HOUVE ARMAÇÃO, QUE VENHA UMA PUNIÇÃO EXEMPLAR

Caso a investigação comprove que houve uma operação deliberada para incriminar falsamente Alfredo Gaspar, a resposta institucional precisa estar à altura da gravidade dos fatos.

Quem participou deve responder individualmente por seus atos, independentemente de partido, mandato ou posição ideológica.

Isso não seria uma vitória da direita contra a esquerda.

Seria uma vitória da Justiça contra a mentira.

E a própria esquerda brasileira deveria ser uma das primeiras forças políticas interessadas no completo esclarecimento do episódio. Nenhum campo democrático deveria aceitar carregar sobre seus ombros a suspeita de que acusações criminais possam ser utilizadas como armas eleitorais.

Da mesma forma, apoiadores de Alfredo Gaspar não podem utilizar a existência desse novo depoimento como sentença antecipada contra quem ainda está sendo investigado.

A verdade precisa valer mais do que a torcida.

O LADO SUJO DA POLÍTICA PRECISA SER REJEITADO

O Brasil já está suficientemente dividido.

Transformar acusações de crimes sexuais em munição de guerra política seria descer mais um degrau em uma degradação que precisa encontrar limites.

Existem coisas que simplesmente não podem ser normalizadas.

Mentir deliberadamente sobre um adversário é uma delas.

Fabricar uma acusação criminal seria algo ainda mais grave.

E destruir a honra de uma pessoa sabendo que ela é inocente seria moralmente indefensável.

Por isso, o RCNEWS defende uma investigação profunda, independente e rigorosa.

Se Alfredo Gaspar cometeu algum crime, que as provas falem e que a Justiça cumpra seu papel.

Se foi vítima de uma armação, que todos os responsáveis sejam identificados e submetidos às consequências previstas em lei.

Sem vingança.

Sem proteção.

Sem impunidade.

Porque política sem limites morais deixa de ser instrumento do bem comum e transforma-se simplesmente em disputa pelo poder a qualquer preço.

E esse é o lado sujo da política que o Brasil precisa ter coragem de rejeitar.

Editorial – Rede Católica News
RCNEWS

Informação com responsabilidade cristã.

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