Senador defende sigilo da fonte e cobra reação da imprensa após operação envolvendo ex-secretário do Maranhão
Por Marcelo Rodrigues
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu jornalistas em Brasília nesta terça-feira (11) para um encontro informal marcado por churrasco, refrigerante e fortes críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a conversa com os profissionais de imprensa, Flávio abordou a operação de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.
O repórter havia divulgado informações relacionadas a um suposto uso irregular de veículos oficiais envolvendo o ministro Flávio Dino, do STF. O episódio passou a provocar discussões sobre sigilo da fonte e liberdade de imprensa.
“O SIGILO DA FONTE É SAGRADO”
Ao comentar o caso, Flávio Bolsonaro manifestou solidariedade ao jornalista e criticou a decisão judicial.
«“O Alexandre de Moraes acabou de determinar a busca e a apreensão na fonte de um jornalista no Maranhão. […] O sigilo da fonte é sagrado”, afirmou.»
O senador também defendeu uma reação conjunta dos veículos de comunicação e dos profissionais de imprensa diante do episódio. Segundo Flávio, medidas dessa natureza representam “abuso”, “ilegalidade” e “arbitrariedade”.
Para o candidato à Presidência, a situação ultrapassa a disputa política e coloca no centro do debate a proteção constitucional à atividade jornalística e ao sigilo da fonte.
OPERAÇÃO TEVE PEDIDO DA PF E PARECER DA PGR
Apesar das críticas direcionadas por Flávio Bolsonaro a Alexandre de Moraes, a operação contra Raimundo Cutrim não teve origem exclusivamente em uma iniciativa do ministro.
Segundo informações atribuídas à assessoria do STF, a medida foi solicitada pela Polícia Federal, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, posteriormente, foi autorizada por Moraes.
A defesa de Cutrim, por sua vez, sustenta que o ex-secretário teria sido identificado como fonte jornalística depois de informações obtidas a partir da quebra de sigilo do jornalista. A controvérsia deverá alimentar o debate jurídico sobre os limites de investigações envolvendo profissionais da imprensa e suas fontes.
CHURRASCO, REFRIGERANTE E POLÍTICA
O cenário do encontro também chamou atenção. Enquanto fazia duras críticas ao tratamento dispensado a uma fonte jornalística, Flávio Bolsonaro servia pessoalmente churrasco e refrigerante aos jornalistas presentes.
A confraternização ocorreu em meio à movimentação política do senador, que disputa a Presidência da República e busca ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade e da imprensa.
O episódio coloca novamente em evidência um tema sensível para qualquer democracia: até onde podem avançar as investigações judiciais quando existe o risco de atingir o direito constitucional dos jornalistas de preservar suas fontes.
NOTA EDITORIAL
Caso seja utilizada em chamada, manchete ou arte a expressão “ditador” para se referir a Flávio Bolsonaro, o termo deve ser entendido exclusivamente como uma caracterização irônica ou editorial, e não como descrição factual.
Flávio Bolsonaro é senador da República e candidato à Presidência. Ele não exerce função ditatorial nem possui os poderes associados a esse tipo de regime político.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Rede Católica News — Informação com responsabilidade cristã


