Pastor afirma que ministro não poderia atuar em investigação na qual seria vítima e também critica inquérito das fake news e encontro com Lula e Davi Alcolumbre
Reportagem: Marcelo Rodrigues
O pastor Silas Malafaia voltou a fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e levantou questionamentos sobre a imparcialidade do magistrado na condução de investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e à atuação de grupos ligados à direita.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Malafaia sustentou que Moraes não deveria conduzir uma investigação na qual, conforme declaração atribuída ao próprio ministro, teria sido alvo de um suposto plano para assassiná-lo.
«“Se ele é vítima, não poderia presidir o inquérito. Ele não pode ser vítima e juiz”, declarou Malafaia.»
Com base nesse argumento, o pastor classificou o procedimento como “nulo de direito” e acusou Moraes de agir de maneira parcial. A afirmação representa a interpretação de Malafaia e não significa, por si só, que exista decisão judicial reconhecendo a nulidade das investigações.
CRÍTICAS AO POSICIONAMENTO SOBRE A EXTREMA-DIREITA
Malafaia também questionou declarações atribuídas a Moraes sobre a necessidade de combater a extrema-direita na América Latina.
Na avaliação do líder religioso, manifestações desse tipo seriam incompatíveis com a posição de um integrante da Suprema Corte por indicarem, segundo ele, um posicionamento político.
«“Um ministro da Suprema Corte não tem que apoiar nem combater nem extrema-direita nem extrema-esquerda”, afirmou.»
INQUÉRITO DAS FAKE NEWS
Outro alvo das críticas foi o chamado inquérito das fake news, aberto pelo STF em 2019.
Malafaia voltou a classificar a investigação como “imoral e ilegal” e questionou, entre outros aspectos, a ausência de participação inicial do Ministério Público na instauração do procedimento.
O pastor afirmou ainda que é investigado em razão de um discurso realizado na Avenida Paulista e considera que existe perseguição contra pessoas identificadas politicamente com a direita.
Para sustentar seus questionamentos sobre a atuação de Moraes, Malafaia também mencionou críticas publicadas pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.
SUPOSTOS ATAQUES A FLÁVIO BOLSONARO E TARCÍSIO
Durante o vídeo, Malafaia mencionou ainda páginas que, segundo ele, teriam movimentado mais de R$ 1 milhão em ações destinadas a atacar o senador Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O pastor cobrou uma reação das autoridades e questionou por que Alexandre de Moraes não teria se manifestado publicamente sobre o episódio.
As alegações citadas por Malafaia, entretanto, precisam ser analisadas à luz das investigações e de eventuais decisões das autoridades competentes para que sejam estabelecidas responsabilidades.
JANTAR COM LULA E ALCOLUMBRE
Malafaia também criticou um jantar realizado na residência de Alexandre de Moraes que teria contado com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Para o pastor, o encontro suscita questionamentos sobre a independência entre os Poderes, considerando que questões envolvendo autoridades políticas podem eventualmente chegar às instituições comandadas ou integradas pelos participantes.
«“Isso é uma vergonha”, declarou Malafaia.»
Ele defendeu ainda que os integrantes do Senado mantenham independência tanto em relação ao governo federal quanto ao Supremo Tribunal Federal.
EMBATE POLÍTICO E INSTITUCIONAL
As declarações de Malafaia fazem parte de uma sequência de críticas feitas por lideranças e setores da direita à atuação de Alexandre de Moraes.
Moraes, por outro lado, tem defendido a atuação do STF e das instituições no enfrentamento a ataques contra a democracia, disseminação de desinformação e tentativas de ruptura institucional.
É importante destacar que as declarações de Malafaia constituem opiniões, críticas e acusações políticas. Elas não representam, isoladamente, comprovação jurídica de parcialidade ou ilegalidade por parte do ministro.
Eventuais alegações de impedimento, suspeição ou nulidade de procedimentos precisam ser apresentadas e analisadas pelas instâncias judiciais competentes.
Ao final do vídeo, Malafaia voltou suas críticas para as eleições de 2026 e defendeu que os eleitores escolham senadores que, em sua avaliação, tenham independência para fiscalizar os demais Poderes.
Segundo o pastor, a questão não seria simplesmente eleger parlamentares dispostos a promover processos de impeachment, mas fortalecer um Senado capaz de exercer de maneira independente suas atribuições constitucionais de fiscalização.
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