Candidato do PRTB afirma que pretende impedir uma vitória do presidente no primeiro turno e promete exercer papel estratégico na eleição
O empresário Pablo Marçal, candidato do PRTB à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (17/8), durante entrevista à Brasil Paralelo, que sua participação na eleição de 2026 possui como um dos objetivos ajudar Flávio Bolsonaro a enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a sabatina, Marçal avaliou que o candidato do PL apresenta crescimento na disputa presidencial e criticou as movimentações políticas que, em sua opinião, teriam a intenção de reduzir a força eleitoral de Flávio.
“Flávio está crescendo, coisa que o Lula não consegue mais”, declarou.
Marçal afirmou que Lula buscaria vencer a eleição ainda no primeiro turno e que a entrada de outros candidatos poderia impedir esse resultado. Para o empresário, sua presença na disputa modificaria o cenário eleitoral e dificultaria uma eventual vitória antecipada do atual presidente.
“O objetivo é não deixar o Lula ganhar no primeiro turno”, afirmou o candidato durante a entrevista.
“PEDRA DO GOLIAS”
Ao falar sobre o papel que pretende exercer na campanha, Pablo Marçal utilizou uma metáfora inspirada no relato bíblico de Davi e Golias.
“Pode deixar comigo que eu serei a pedra do Golias”, declarou.
Na narrativa bíblica, o jovem Davi derrota o guerreiro filisteu Golias utilizando uma pedra lançada por uma funda. Ao recorrer à imagem, Marçal indicou que pretende atuar como um elemento capaz de alterar o equilíbrio da disputa presidencial.
A declaração reforça uma estratégia de aproximação com Flávio Bolsonaro, apesar de ambos estarem formalmente posicionados como candidatos na eleição. Marçal também revelou que Flávio foi uma das primeiras pessoas para quem telefonou depois de conseguir protocolar sua candidatura.
PAPEL ESTRATÉGICO
A fala do candidato do PRTB indica que sua campanha poderá concentrar críticas principalmente no presidente Lula, evitando um confronto direto com Flávio Bolsonaro.
Com essa estratégia, Marçal tentaria atrair eleitores conservadores, antipetistas e parte do público que o acompanhou durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2024. Ao mesmo tempo, sua candidatura poderia contribuir para levar a disputa presidencial ao segundo turno.
A posição apresentada na entrevista também levanta questionamentos sobre os rumos de sua campanha caso Flávio Bolsonaro avance para a etapa decisiva da eleição. Marçal não anunciou formalmente uma desistência nem declarou apoio oficial, mas deixou claro que considera o candidato do PL um aliado no enfrentamento político contra Lula.
SITUAÇÃO JURÍDICA
Pablo Marçal registrou sua candidatura à Presidência pelo PRTB em 15 de agosto. No entanto, sua participação definitiva na eleição ainda depende da análise da Justiça Eleitoral.
O empresário possui condenações no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo relacionadas à campanha municipal de 2024 e enfrenta questionamentos sobre sua elegibilidade. A defesa de Marçal busca reverter as decisões e sustenta que ele possui o direito de participar da disputa.
Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral não julgar definitivamente o registro, Marçal pode realizar atos de campanha. Caso a candidatura seja indeferida, sua permanência na eleição poderá ser impedida.
DISPUTA POLARIZADA
As declarações acontecem em um cenário eleitoral marcado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do PL tenta reunir os principais grupos da direita, enquanto o presidente busca consolidar sua base política e ampliar alianças para conquistar um novo mandato.
Ao anunciar que pretende funcionar como uma peça estratégica contra Lula, Pablo Marçal sinaliza que sua candidatura poderá ultrapassar a busca individual pela Presidência e participar também da reorganização das forças conservadoras durante a campanha de 2026.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Rede Católica News
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