Influenciadora é acusada de integrar o núcleo financeiro de uma organização ligada ao PCC; defesa nega as acusações e afirma que a prisão é ilegal
A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora, advogada e empresária Deolane Bezerra. A decisão ocorreu após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) defender a continuidade da detenção durante a revisão obrigatória da medida.
Deolane está presa desde 21 de maio de 2026, quando foi alvo da Operação Vérnix. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o Código de Processo Penal, a necessidade da prisão preventiva deve ser reavaliada a cada 90 dias por meio de uma decisão fundamentada. O prazo, no entanto, não determina a libertação automática do acusado.
RISCO DE NOVOS CRIMES
Na manifestação enviada à Justiça, o Ministério Público argumentou que a liberdade dos investigados poderia representar risco de continuidade das supostas atividades criminosas.
Segundo a acusação, a organização investigada estaria dividida em núcleos de comando, operação e movimentação financeira. O MP sustenta que Deolane teria atuação central no núcleo financeiro e seria responsável por movimentar, ocultar e disfarçar recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias, empresas e bens de alto valor.
As acusações fazem parte de uma ação penal que também envolve Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder do PCC, além de familiares e outros investigados.
OPERAÇÃO VÉRNIX
A Operação Vérnix foi deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura a possível utilização de empresas e estruturas financeiras para dar aparência legal a dinheiro que, segundo os investigadores, teria origem criminosa.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça, fazendo com que Deolane e os demais acusados passassem à condição de réus por supostos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O recebimento da denúncia não representa condenação. As responsabilidades individuais ainda serão analisadas durante o processo, com direito à apresentação de provas e ao exercício da defesa.
DEFESA CONTESTA ACUSAÇÕES
A defesa de Deolane nega qualquer ligação da influenciadora com o PCC e afirma que o patrimônio dela possui origem lícita.
O advogado Aury Lopes Jr. considera a prisão ilegal e desnecessária. A defesa argumenta que medidas alternativas, como uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou outras restrições judiciais, seriam suficientes para garantir o andamento do processo.
Familiares da influenciadora também afirmam que ela está sendo julgada antecipadamente nas redes sociais e defendem que os fatos e as provas sejam analisados exclusivamente pela Justiça.
Com a nova decisão, Deolane permanecerá presa preventivamente enquanto responde ao processo. A defesa ainda poderá apresentar recursos contra a manutenção da prisão.
Deolane Bezerra não possui condenação definitiva no caso e deve ser considerada inocente até eventual decisão judicial transitada em julgado.
Fontes: Ministério Público de São Paulo, CNN Brasil, UOL e Folha Vitória.
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