CASO BANCO MASTER

Política

VORCARO CONTRATOU EX-CUNHADO DE GILMAR MENDES, QUE INTERMEDIOU REUNIÃO NO STF

Chiquinho Feitosa confirmou ter prestado serviços para empresa ligada ao banqueiro; ministro votou contra os interesses associados ao Master nos processos analisados

O empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter prestado serviços para a Super Empreendimentos e Participações, empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro e investigada sob suspeita de ter sido utilizada em operações de lavagem de dinheiro.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Feitosa também teria atuado na aproximação entre Vorcaro e Gilmar Mendes, intermediando uma reunião realizada no gabinete do ministro, na sede do STF.

O encontro teria ocorrido em abril de 2024 e abordado processos envolvendo indenizações bilionárias reivindicadas por empresas do setor sucroalcooleiro. O Banco Master possuía créditos relacionados a essas disputas judiciais e, portanto, poderia ser diretamente beneficiado por decisões favoráveis às usinas.

Conforme as informações divulgadas, Vorcaro procurou o ministro para apresentar argumentos relacionados às causas. Registros obtidos durante as investigações indicariam que Chiquinho Feitosa auxiliou o então controlador do Banco Master a conseguir a audiência.

Procurado pelo Estadão, Feitosa confirmou que prestou serviços para a Super Empreendimentos. Os detalhes do trabalho realizado e os valores eventualmente recebidos, entretanto, não foram esclarecidos nas informações divulgadas.

A Super Empreendimentos aparece em investigações relacionadas ao caso Banco Master. As suspeitas envolvendo a empresa ainda estão sendo apuradas e não representam, por si mesmas, uma condenação de seus responsáveis ou das pessoas que mantiveram relações comerciais com ela.

GILMAR VOTOU CONTRA O MASTER

Apesar da reunião e da atuação atribuída ao ex-cunhado, Gilmar Mendes votou contra os interesses associados ao Banco Master nas duas ações mencionadas pela reportagem.

Esse ponto é considerado relevante porque, até o momento, não há demonstração de que a audiência ou os serviços prestados por Chiquinho Feitosa tenham interferido nos votos do ministro.

Em um dos processos, relacionado à Destilaria Alcídia, Gilmar Mendes e André Mendonça votaram contra o pagamento do precatório defendido pela empresa. Os dois, porém, foram vencidos pelos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques.

Segundo o Estadão, Gilmar Mendes não respondeu aos questionamentos encaminhados especificamente para a reportagem até a sua publicação. Em manifestação divulgada sobre a audiência, o gabinete do ministro afirmou que ela ocorreu em ambiente institucional, com a presença de advogados, e destacou que Gilmar votou contra os interesses do Master nos processos analisados.

O gabinete também declarou que o ministro não tinha conhecimento das tratativas profissionais mantidas entre Daniel Vorcaro e Chiquinho Feitosa e que Gilmar Mendes não responde pelas relações comerciais ou privadas de um ex-parente.

INVESTIGAÇÃO DEVE ESCLARECER RELAÇÕES

A revelação amplia os questionamentos sobre a rede de contatos mantida por Daniel Vorcaro enquanto comandava o Banco Master, mas não comprova a participação de Gilmar Mendes em qualquer irregularidade.

Caberá às autoridades responsáveis pelas investigações esclarecer a natureza dos serviços prestados por Chiquinho Feitosa, os pagamentos eventualmente realizados pela Super Empreendimentos e se houve alguma finalidade ilícita nessas relações.

Todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. As suspeitas somente poderão ser tratadas como crimes comprovados após investigação, apresentação de provas e decisão definitiva da Justiça.

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Fonte: O Estado de S. Paulo, com informações complementares da Folha de S.Paulo

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