Advogada Dalide Corrêa foi mencionada por executivos da instituição financeira como “canal direto com o STF”; ela nega ter atuado perante a Corte ou procurado ministros em favor do banco
Documentos encontrados pela Polícia Federal apontam que o Banco Master pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório Alves Corrêa, ligado à advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).
A informação foi publicada originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutida por outros veículos de comunicação.
O IDP foi fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dalide chegou a ser considerada uma pessoa próxima ao magistrado, mas, segundo as reportagens, os dois se afastaram em 2017, após divergências relacionadas à administração do instituto.
Os pagamentos aparecem em documentos de uma auditoria interna encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) para examinar a operação envolvendo o Banco Master.
O levantamento chamou atenção para o aumento das despesas jurídicas da instituição financeira. Os valores destinados a escritórios de advocacia teriam passado de R$ 76 milhões, em 2023, para R$ 215 milhões no ano seguinte.
Do montante registrado em 2024, R$ 40 milhões teriam sido destinados ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e outros R$ 33 milhões ao escritório Alves Corrêa.
“CANAL DIRETO COM O STF”
O nome de Dalide também teria aparecido em conversas internas entre executivos do Banco Master obtidas pela Polícia Federal.
Em um dos diálogos, o então diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, teria orientado o superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, a realizar um pagamento ao escritório. Na conversa, a contratação foi associada à expressão “canal direto com o STF”.
As mensagens divulgadas, entretanto, não explicam o significado da expressão nem demonstram que a advogada tenha procurado ministros ou exercido influência sobre decisões da Corte.
ADVOGADA NEGA ATUAÇÃO NO SUPREMO
Procurada pelo Estadão, Dalide Corrêa negou ter representado o Banco Master no STF ou realizado contatos com ministros em benefício da instituição financeira.
Em nota, a advogada declarou que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.
Segundo sua defesa, os serviços foram prestados em processos originalmente conduzidos para empresas que venderam créditos ao Banco Master e que posteriormente foram sucedidas pela instituição nessas ações.
A atuação, conforme a manifestação apresentada, teria ocorrido exclusivamente perante órgãos judiciais de primeira e segunda instâncias.
Gilmar Mendes foi procurado pelo jornal por meio da assessoria do STF, mas não comentou os documentos. Interlocutores do ministro afirmaram que ele não mantém relação de proximidade com Dalide desde a saída dela do IDP.
SEM CONCLUSÃO SOBRE ILEGALIDADE
Até o momento, a Polícia Federal não realizou diligências específicas sobre o contrato firmado com o escritório nem apresentou uma conclusão sobre a legalidade dos serviços prestados.
Portanto, os documentos confirmam a existência dos pagamentos e registram a expressão utilizada por executivos do Master, mas não comprovam que Dalide Corrêa tenha atuado como intermediária entre o banco e ministros do Supremo.
O caso deverá ser esclarecido pelas autoridades responsáveis, especialmente diante dos valores envolvidos e da necessidade de transparência sobre a natureza e a efetiva prestação dos serviços contratados.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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Fontes: O Estado de S. Paulo, O Antagonista e Diário do Poder


