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Política

GAROTINHO ACUSA PAES DE RESPONSABILIDADE PELO SUMIÇO DAS VIGAS DA PERIMETRAL; EX-PREFEITO NEGA

Confronto no debate da TV Globo retoma episódio de 2013; Garotinho afirma que estruturas foram enviadas ao Catar, enquanto Paes contesta a versão

Reportagem: Marcelo Rodrigues

O desaparecimento das vigas do antigo Elevado da Perimetral voltou ao centro da disputa política fluminense durante o debate da TV Globo, realizado em 29 de setembro. Anthony Garotinho acusou Eduardo Paes de responsabilidade pelo episódio ocorrido durante sua gestão na Prefeitura do Rio. Paes negou envolvimento e afirmou que as peças foram furtadas e que houve ressarcimento.

Em tom de confronto, Garotinho declarou que pessoas ligadas ao adversário teriam vendido as estruturas e que elas teriam sido levadas ao Catar. O ex-governador chegou a afirmar que Paes deveria estar preso. Trata-se de uma acusação feita durante o debate, não de uma conclusão judicial apresentada pelas fontes consultadas.

Garotinho também afirmou possuir documentos portuários que sustentariam sua versão sobre a saída das vigas. A reportagem do Rede Católica News não teve acesso a esse material e, portanto, não verificou sua autenticidade nem o conteúdo alegado.

PAES CONTESTA A ACUSAÇÃO

Ao responder, Paes negou que as vigas tenham sido vendidas ao Catar. Segundo sua versão, as estruturas estavam vinculadas a uma empresa privada no contexto da parceria público-privada da região portuária. Ele também afirmou que o valor das peças havia sido reembolsado à Prefeitura e rejeitou as acusações de Garotinho.

O HISTÓRICO DO DESAPARECIMENTO

O caso remonta a 2013, quando seis vigas retiradas da Perimetral desapareceram do terreno onde estavam armazenadas pela concessionária Porto Novo. Reportagem do UOL publicada em 2015 descreveu peças com aproximadamente 40 metros de comprimento e 20 toneladas cada. Na época, Paes afirmou que a concessionária deveria ressarcir o município caso elas não fossem recuperadas.

Em fevereiro de 2020, o UOL informou que a investigação havia sido arquivada seis anos depois do desaparecimento e que o paradeiro das estruturas permanecia desconhecido naquele momento. Esse registro histórico não comprova a acusação agora feita por Garotinho sobre envolvimento de Paes ou envio ao Catar.

PATRIMÔNIO PÚBLICO E PRESTAÇÃO DE CONTAS

A retomada do episódio recoloca em discussão a guarda de materiais retirados de grandes obras e a responsabilidade pela prestação de contas. Para avaliar as declarações feitas no debate, é necessário distinguir o desaparecimento documentado das vigas das versões políticas sobre seus responsáveis e sua destinação.

Os documentos mencionados por Garotinho, caso sejam disponibilizados, poderão ser examinados e confrontados com os registros da investigação e as respostas dos envolvidos. Até lá, a acusação deve permanecer claramente atribuída ao ex-governador, acompanhada da negativa de Eduardo Paes.

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