RADIOGRAFIA DA NOVA ALERJ: QUEM ENTRA, QUEM SAI E COMO FICA O PODER NO LEGISLATIVO FLUMINENSE

Política

Reportagem especial — RCNEWS
Por Marcelo Rodrigues

A eleição de 4 de outubro definiu os 70 nomes que deverão compor a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro na legislatura de 2027 a 2030. O resultado combina permanência de parlamentares experientes, chegada de novos representantes e retorno de antigos integrantes da Casa.

A mudança ainda não acontece imediatamente: a posse está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Até lá, continua em exercício a atual legislatura.

RENOVAÇÃO: O QUE OS NÚMEROS SIGNIFICAM

Segundo a divulgação institucional da Alerj, a renovação chega a 40%, com 28 integrantes classificados como novos na próxima composição. Esse grupo inclui dois retornos: André Ceciliano, do PT, e Márcio Canella, do União Brasil.

O levantamento de estreantes publicado pelo Tempo Real identifica 26 deputados que nunca exerceram mandato na Assembleia, além dos dois ex-parlamentares que retornam.

Há uma divergência nos balanços publicados após a eleição: reportagens iniciais apontaram 43 reeleitos e 27 novos integrantes, ou 38,6% de renovação. A divulgação da Alerj e o levantamento posterior de estreantes trabalham com 28 nomes que chegam ou retornam. Por isso, os percentuais devem ser apresentados com a identificação da fonte.

PL TEM A MAIOR BANCADA, MAS PRECISARÁ DE ALIANÇAS

A distribuição divulgada pela Assembleia coloca o PL na liderança, com 21 cadeiras. PT e PCdoB somam dez, enquanto o PSD terá nove.

PSOL e PP aparecem com cinco representantes cada; União Brasil, quatro; Republicanos, três. MDB, PDT, Solidariedade e PSB terão dois cada. Novo, PSDB, Agir, PRD e DC conquistaram uma cadeira cada.

A leitura política é que o PL terá peso relevante nas negociações, mas suas 21 cadeiras representam 30% do plenário. O partido precisará construir acordos para controlar votações e disputar a direção da Casa. A formação da base do próximo governo dependerá dessas articulações.

QUEM CHEGA À ASSEMBLEIA

Entre os estreantes, Costenaro, do Novo, obteve 121.780 votos. Também chegam Dra. Gabriela, João Pires, Alexandre Isquierdo Malafaia, Fernanda Neves e Léo Vieira Filho.

São Gonçalo terá a chegada de Nelsinho Ruas, eleito com 70.552 votos. Filho do prefeito Capitão Nelson e irmão de Douglas Ruas, ele leva à Assembleia a experiência da Câmara Municipal.

Rodrigo Medeiros, ex-prefeito de Tanguá, conquistou 65.530 votos. Felipe Pampolha, pelo PP, recebeu 61.589.

Os novos integrantes vêm de trajetórias diversas: governos municipais, câmaras de vereadores, segurança pública, atividade empresarial e militância política. Essa diversidade pode alterar o perfil dos debates e a distribuição de influência nas comissões.

QUEM PERMANECE

Índia Armelau liderou a votação, com 248.504 votos. Entre os reeleitos de destaque estão Renata Souza, Dani Balbi e Guilherme Delaroli.

Delaroli conquistou 166.374 votos. Também permanecem nomes como Rosenverg Reis, Elika Takimoto, Anderson Moraes, Flávio Serafini, Verônica Lima, Luiz Paulo, Tia Ju, Zeidan e Vinícius Cozzolino.

A continuidade desses parlamentares mostra que a renovação convive com estruturas políticas consolidadas e mandatos que conseguiram preservar apoio eleitoral.

QUEM NÃO RENOVOU O MANDATO

O levantamento do Tempo Real relaciona 17 parlamentares que disputaram a reeleição e ficaram fora da lista divulgada:

Alexandre Knoploch, Carlos Macedo, Carlos Minc, Célia Jordão, Dionísio Lins, Dr. Deodalto, Fabiani Vasconcellos, Fábio Silva, Filipe Soares, Fred Pacheco, Lilian Behring, Professor Josemar, Renan Jordy, Renato Machado, Sérgio Fernandes, Val Ceasa e Valdecy da Saúde.

Renato Machado e Val Ceasa têm situações judiciais pendentes mencionadas pela Alerj. Seus casos exigem acompanhamento antes de uma conclusão definitiva.

SAÍDA TAMBÉM PODE SIGNIFICAR MUDANÇA DE CARGO

Nem toda ausência na próxima legislatura representa derrota para deputado estadual.

Douglas Ruas disputou o governo. Martha Rocha, Sarah Poncio e Wellington José concorreram à Câmara dos Deputados. Segundo o Diário do Rio, Filippe Poubel, Thiago Gagliasso e Vitor Junior foram eleitos deputados federais.

O mesmo levantamento registra que Brazão, Franciane Motta, Lucinha e Rodrigo Amorim não concorreram. Esses casos devem ser separados das tentativas frustradas de reeleição.

O QUE AINDA PODE MUDAR

A Alerj informa recursos pendentes envolvendo sete candidaturas. Decisões da Justiça Eleitoral podem modificar a distribuição das vagas.

Politicamente, a próxima etapa será a negociação pela presidência, pela Mesa Diretora e pelas comissões. É nesse processo que a força eleitoral se transforma em influência legislativa.

A radiografia das urnas revela uma Assembleia com renovação expressiva, permanência de lideranças e maior bancada concentrada no PL. O comportamento efetivo da nova Casa dependerá das alianças construídas e da atuação de seus integrantes na fiscalização, no orçamento e na elaboração de leis.

Fontes: Alerj, UOL, Tempo Real e Diário do Rio.
Levantamento realizado em 5 de outubro de 2026.

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