ORÇAMENTO DA CULTURA CRESCE 52,6% ENTRE O ÚLTIMO ANO DE BOLSONARO E 2024, SOB LULA

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Dados do Portal da Transparência mostram R$ 1,35 bilhão a mais em recursos autorizados; despesas pagas também aumentaram

Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS

O orçamento atualizado apresentado pelo Portal da Transparência no painel do Ministério da Cultura passou de R$ 2,565 bilhões em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, para R$ 3,915 bilhões em 2024, durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

A diferença corresponde a aproximadamente R$ 1,35 bilhão, um crescimento nominal de 52,6%. A comparação considera os valores registrados nos dois exercícios, sem descontar a inflação.

ORÇAMENTO E PAGAMENTO: DUAS MEDIDAS DIFERENTES

Além dos recursos autorizados, o painel apresenta aumento nas despesas pagas referentes ao orçamento de cada exercício.

Em 2022, esse indicador ficou em aproximadamente R$ 748 milhões. Em 2024, alcançou R$ 2,241 bilhões: diferença de R$ 1,493 bilhão e crescimento nominal de 199,7%, praticamente o triplo.

Os percentuais medem coisas diferentes. O orçamento atualizado representa a autorização para gastar, incluindo alterações realizadas ao longo do ano. As despesas pagas mostram quanto foi efetivamente desembolsado no indicador consultado. Os pagamentos de despesas de anos anteriores, chamados restos a pagar, aparecem separadamente no portal.

MUDANÇA NA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

Durante o governo Bolsonaro, a área cultural funcionava como secretaria, vinculada ao Ministério do Turismo em 2022. O Ministério da Cultura foi recriado em janeiro de 2023, no governo Lula.

Por isso, os números de 2022 são apresentados aqui como registros históricos disponíveis no atual painel da Cultura. Não significam que existia naquele ano um ministério independente com a mesma estrutura administrativa de 2024.

LEI ROUANET NÃO É O MESMO QUE ORÇAMENTO DO MINISTÉRIO

Os valores desta comparação não representam a captação de patrocínios pela Lei Rouanet. O mecanismo de incentivo fiscal permite que patrocinadores e doadores destinem recursos a projetos culturais aprovados, com benefícios tributários previstos em lei.

Misturar captação, autorização para captar e despesas orçamentárias pode produzir números enganosos. Cada modalidade precisa ser examinada separadamente.

MAIS RECURSOS EXIGEM ACOMPANHAMENTO

O aumento identificado reforça a importância de acompanhar a aplicação dos recursos, os critérios de distribuição e os resultados dos programas culturais.

Os números demonstram crescimento financeiro no recorte analisado. Isoladamente, porém, não comprovam favorecimento político, corrupção ou repasses a artistas em troca de apoio eleitoral.

Nota metodológica: comparação entre 2022 e 2024, baseada nos indicadores “orçamento atualizado” e “despesas pagas” do painel do Ministério da Cultura no Portal da Transparência. Não corresponde à soma dos mandatos nem inclui correção pela inflação.

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