Grupo Mota-Engil venceu a PPP do túnel Santos–Guarujá; declarações da empresária não comprovam favorecimento, e defesa do filho de Lula nega irregularidades
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN Brasil na noite de sábado (17), que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantinha proximidade com Amauri Rodrigues Pinha, executivo ligado à ECB — Empresa Construtora Brasil, do grupo português Mota-Engil. Segundo ela, os dois eram amigos e vizinhos, e o filho do presidente teria ajudado a empresa a obter contratos públicos. A alegação não foi comprovada de forma independente nesta apuração.
De acordo com reportagem do Metrópoles sobre a entrevista, Roberta relatou encontros entre ambos, inclusive em sua residência. Ela associou essa proximidade à obtenção de contratos pela empreiteira. A existência de amizade ou reuniões, entretanto, não demonstra, por si só, interferência em uma licitação.
CONTRATOS DA ECB E O TÚNEL SANTOS–GUARUJÁ
Na cobertura da CNN, Roberta mencionou contratos que somariam R$ 2 bilhões relacionados à ECB e cobrou esclarecimentos sobre a atuação do executivo em órgãos públicos. A própria entrevistada ressalvou que não participava desses negócios.
A Mota-Engil, controladora da ECB, também venceu o leilão para construir e operar o túnel Santos–Guarujá. São referências que precisam ser diferenciadas: a cifra mencionada pela empresária não corresponde ao investimento total previsto para o túnel.
Segundo informações divulgadas pelo Governo de São Paulo, a parceria público-privada prevê investimento de R$ 6,8 bilhões, com R$ 5,1 bilhões em aportes públicos compartilhados entre o Estado e a União. O projeto contempla uma ligação submersa sob o canal portuário, com passagem para veículos, pedestres e ciclistas.
Esses dados confirmam a dimensão da obra e o resultado da licitação. Não comprovam a acusação de que uma relação pessoal tenha determinado a contratação.
INTENÇÃO DE FAZER DELAÇÃO
Roberta também declarou que pretende firmar uma colaboração premiada e que poderia acrescentar informações sobre conversas e acontecimentos não registrados em mensagens de WhatsApp. O anúncio expressa sua intenção de colaborar; não significa que exista acordo firmado ou que suas acusações tenham sido validadas pelas autoridades.
Durante a entrevista, a empresária relatou ameaças contra ela e suas filhas e afirmou que responsabilizaria Lula caso algo lhes acontecesse. Trata-se de uma acusação da entrevistada, sem demonstração, no material consultado, de participação do presidente nas ameaças relatadas.
O QUE DIZEM LULA E A DEFESA DE LULINHA
Em manifestação encaminhada à CNN, a comunicação do presidente afirmou que Lula desconhece os fatos relatados, nunca recebeu demandas de Roberta e não manteve interlocução com ela. A nota também questionou o momento eleitoral da entrevista.
A defesa de Lulinha negou qualquer irregularidade e afirmou que suas relações com políticos são pessoais. Os advogados contestaram a versão da empresária e disseram que ele demonstrará sua inocência nos autos.
As declarações ampliam a cobrança por esclarecimentos, mas a conclusão sobre eventual favorecimento depende da análise dos contratos, dos procedimentos de contratação e de provas que sustentem ou afastem as suspeitas.
Reportagem: Marcelo Rodrigues.
Com informações da CNN Brasil, Metrópoles e Governo de São Paulo.
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