Conversas atribuídas ao então advogado do banqueiro mostram articulações durante tentativa de venda do Banco Master ao BRB
Mensagens divulgadas pela revista VEJA mostram que o advogado Walfrido Warde afirmava a Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, que o banqueiro contava com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de integrantes do PT. Os diálogos tratavam das tentativas de preservar a instituição financeira e viabilizar sua venda ao Banco de Brasília, o BRB.
Segundo a publicação, em um áudio enviado em março de 2025, após o anúncio da negociação, Warde avaliava que a cobertura da Globo procurava enfraquecer o apoio político ao banqueiro. A afirmação registra a avaliação do advogado; não comprova, por si só, que Lula tenha autorizado alguma intervenção em favor do Master.
ARTICULAÇÕES NOS BASTIDORES
Na publicação da VEJA encaminhada à redação, a revista informa que Lula aparece em pelo menos 20 mensagens enviadas por Warde a Vorcaro entre abril de 2023 e julho de 2025.
O material também relata uma orientação atribuída ao banqueiro para que uma eventual manifestação de apoio fosse tratada por intermédio de Edinho Silva, presidente do PT, evitando expor diretamente Lula.
A reportagem da revista informa que Warde não quis se manifestar sobre seu conteúdo.
BUSCA POR INTERLOCUÇÃO COM O GOVERNO
Outra reportagem, do Estadão reproduzida pelo Política Livre, descreveu mensagens nas quais Warde e Vorcaro buscavam viabilizar encontros do ex-ministro Guido Mantega com Lula para defender os interesses do Master.
Procurado naquela apuração, o Planalto informou que o presidente se reuniu apenas uma vez com Vorcaro. Segundo o veículo, não respondeu se houve conversas com Mantega ou Warde sobre o banco. Essa manifestação se refere àquela reportagem e não deve ser apresentada como resposta específica a todos os trechos divulgados pela VEJA.
VENDA NÃO FOI CONCLUÍDA
A negociação com o BRB dependia da aprovação do Banco Central. A autoridade monetária vetou a aquisição em setembro de 2025, e o Master entrou em liquidação em novembro daquele ano.
As mensagens ajudam a revelar os esforços de interlocução política em torno da instituição. Determinar se houve favorecimento indevido exige comprovar quais pedidos foram efetivamente apresentados, quais providências foram adotadas e se alguma delas contrariou a legislação.
Reportagem: Marcelo Rodrigues.
Com informações da VEJA e do Estadão, em reportagem reproduzida pelo Política Livre.
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