BR-116 — O BRASIL QUE VIVE À BEIRA DA ESTRADA

Brasil

EPISÓDIO 5 — PERNAMBUCO: ENCONTROS NO SERTÃO

Em Salgueiro e no caminho para o Rio São Francisco, a rodovia aproxima transporte, memória e fé no interior pernambucano.

Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS

Em Pernambuco, a BR-116 encontra outra importante ligação rodoviária: a BR-232, no município de Salgueiro. O encontro dos caminhos oferece uma referência para compreender o papel desse trecho no transporte regional e nas viagens entre estados. Mais adiante, a estrada alcança a divisa com a Bahia, na ponte sobre o Rio São Francisco. Esses pontos estão identificados na documentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Entre o entroncamento e a travessia do rio existe um território que merece atenção própria. Salgueiro, Cabrobó e Belém do São Francisco integram o recorte pernambucano apresentado pelo DNIT em seus registros sobre a rodovia. São municípios que ajudam a conhecer o sertão por sua história, sua cultura e suas relações com os caminhos de circulação.

Neste quinto episódio, a série do RCNEWS acompanha essas referências por meio de pesquisa documental, preparando o olhar para os personagens e as experiências que serão aprofundados em campo.

SALGUEIRO: ONDE OS CAMINHOS SE ENCONTRAM

O entroncamento entre a BR-116 e a BR-232 coloca Salgueiro em uma posição de conexão entre diferentes percursos. Para compreender seu significado, é preciso olhar tanto para o transporte de longa distância quanto para os acessos utilizados pela população local.

Uma ligação rodoviária envolve mais do que o movimento dos veículos. Sua relação com a cidade pode ser investigada nos negócios, no transporte de passageiros e nas condições de deslocamento dos trabalhadores.

Essa será uma das perguntas centrais da apuração presencial: como a circulação pela estrada participa da economia e da rotina de quem vive em Salgueiro?

UMA HISTÓRIA LIGADA A SANTO ANTÔNIO

A memória da cidade também conduz a uma história de devoção. Segundo o relato preservado pela Diocese de Salgueiro, em 1835 o menino Raimundo de Sá se perdeu, levando sua mãe a prometer a construção de uma capela dedicada a Santo Antônio caso ele fosse encontrado com vida.

A narrativa registra que, após o reencontro, começou a construção do templo no local onde a criança havia sido encontrada. A capela teria sido concluída por volta de 1838. A Diocese relaciona o crescimento das visitas religiosas ao surgimento de novas casas em seu entorno.

Apresentado como parte da memória religiosa local, esse relato ajuda a compreender o vínculo entre devoção e formação urbana. A história da comunidade guarda caminhos que antecedem a rodovia e continuam presentes em seus lugares de referência.

A paróquia foi criada em 6 de maio de 1843. Em 2010, com a criação da Diocese de Salgueiro pelo Papa Bento XVI, a Igreja de Santo Antônio tornou-se catedral.

CABROBÓ, BELÉM DO SÃO FRANCISCO E OS ACESSOS

Seguindo pelo trecho pernambucano, a relação entre rodovia e município exige atenção ao mapa. A passagem pelo território de uma cidade não significa, necessariamente, atravessar seu centro urbano.

O sistema rodoviário publicado pelo DER de Pernambuco identifica, no percurso da BR-116, o entroncamento com as BRs 316 e 428, com indicação de acesso para Cabrobó. Registra também a chegada à divisa entre Pernambuco e Bahia, em Ibó, na ponte sobre o São Francisco.

Essas conexões mostram por que conhecer a região pode exigir sair da pista principal. Os acessos fazem parte da relação entre a estrada e as localidades: é por eles que uma viagem nacional se aproxima dos destinos cotidianos.

O RIO COMO PARTE DA VIAGEM

Na fronteira com a Bahia, a ponte sobre o São Francisco marca uma mudança de estado e acrescenta outro elemento à narrativa: o encontro entre os caminhos rodoviários e o rio.

Para esta série, a travessia será também uma oportunidade de investigar as relações entre mobilidade, trabalho e vida comunitária. As experiências de quem mora na região deverão ser ouvidas em suas particularidades, sem reduzir o sertão a uma paisagem vista de passagem.

CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA

Os documentos públicos também permitem acompanhar intervenções na estrada. Em 14 de junho de 2023, o DNIT anunciou a conclusão de serviços em 35,84 quilômetros da BR-116 pernambucana, entre os quilômetros 53,60 e 89,44.

Segundo o órgão, foram executados microrrevestimento asfáltico e sinalização horizontal, com investimento de aproximadamente R$ 6 milhões. Esse registro informa uma obra realizada naquele período; as condições atuais do trecho exigem verificação específica.

Nas visitas, a atenção deverá alcançar a conservação da pista, os acessos e as condições de circulação, ouvindo usuários e responsáveis pelos serviços.

O SERTÃO ALÉM DA PASSAGEM

O trecho pernambucano apresenta encontros de estradas, uma memória urbana ligada à fé e a chegada ao São Francisco. São referências concretas para uma reportagem que pretende avançar do mapa para a vida das pessoas.

Caminhoneiros, passageiros, comerciantes e moradores poderão revelar como esses caminhos participam de suas trajetórias. Suas vozes ainda serão apuradas. Este episódio reúne a base documental para essa escuta.

No próximo episódio: “Bahia — caminhos de Canudos”.

Marcelo Rodrigues, presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos.

redecatolicanews.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *