Documento foi publicado antes do consistório extraordinário e das consagrações episcopais anunciadas pela Fraternidade sem aprovação da Santa Sé
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) divulgou nesta semana uma carta aberta e uma declaração de fé dirigidas ao papa Leão XIV e ao Colégio de Cardeais. Os documentos foram publicados poucos dias antes do consistório extraordinário convocado para os dias 26 e 27 de junho, no Vaticano, e das consagrações episcopais anunciadas pela Fraternidade para 1º de julho, que não contam com autorização da Santa Sé.
Na carta, a FSSPX reafirma seu compromisso com a Tradição da Igreja e sustenta que nela estão as respostas para os desafios enfrentados atualmente pelo catolicismo.
«”Estamos convencidos de que a Tradição contém todos os remédios para os males mais profundos que afligem a Igreja e o mundo, para os quais se buscam soluções em vão fora dela”, afirma o documento.»
A declaração de fé que acompanha a carta reúne 154 afirmações em defesa das doutrinas tradicionais da Igreja Católica. Entre os temas abordados estão a centralidade dos sacramentos, a revelação divina, a devoção à Virgem Maria, a defesa da Missa Tridentina e críticas ao ecumenismo e a alguns ensinamentos decorrentes do Concílio Vaticano II, especialmente sobre liberdade religiosa e o diálogo com outras religiões.
A publicação ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Fraternidade e a Santa Sé em razão da intenção da FSSPX de realizar novas consagrações episcopais sem mandato pontifício.
Em 13 de maio, a Santa Sé advertiu que a realização dessas consagrações poderá configurar um ato cismático, com a consequente excomunhão automática dos bispos consagrantes e daqueles que forem consagrados.
No último dia 16 de junho, o papa Leão XIV voltou a fazer um apelo público à Fraternidade para que desistisse da iniciativa.
«”Nós os convidamos, e estamos considerando fazer ainda um novo apelo, dizendo: não façam isso; procuremos viver a comunhão na Igreja. Mas a escolha é deles. É preciso ter consciência do que isso significa para eles e para a Igreja”, declarou o pontífice a jornalistas em Castel Gandolfo, na Itália.»
Fundada por Dom Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X celebra exclusivamente a Missa segundo o Missal de 1962, conhecido como Missa Tridentina, e mantém posições críticas em relação a algumas reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II.
Até o fechamento desta reportagem, a Sala de Imprensa da Santa Sé não havia se manifestado oficialmente sobre a carta e a declaração divulgadas pela Fraternidade.



