Presidente dos Estados Unidos afirmou que operações começariam “muito em breve” e declarou que qualquer país envolvido no envio de drogas ao território norte-americano poderia ser atingido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, em 2 de dezembro de 2025, que seu governo pretendia iniciar ataques terrestres contra alvos supostamente ligados ao narcotráfico na América Latina.
Durante uma reunião de seu gabinete na Casa Branca, Trump declarou que as operações começariam “muito em breve”. O presidente não informou, naquele momento, quais países ou regiões poderiam ser atingidos pelas forças norte-americanas.
A declaração representou uma escalada da campanha militar conduzida pelos Estados Unidos no Caribe e no Oceano Pacífico contra embarcações acusadas pelo governo norte-americano de transportar drogas.
Trump afirmou ainda que qualquer país envolvido no envio de entorpecentes aos Estados Unidos poderia tornar-se alvo das operações.
“Eu quero que esses barcos sejam eliminados e, se preciso, vamos fazer ataques terrestres, assim como fizemos no mar”, declarou.
ATAQUES CONTRA EMBARCAÇÕES
Na ocasião, o governo Trump já realizava ataques contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico. As operações começaram em setembro de 2025 e provocaram questionamentos sobre sua legalidade e sobre as provas utilizadas para definir os alvos.
Trump alegou que as ações militares contribuíam para reduzir a entrada de drogas nos Estados Unidos. Segundo o presidente, os serviços de inteligência norte-americanos conheciam as rotas e os locais utilizados pelos grupos criminosos.
“Essas pessoas mataram mais de 200 mil pessoas nos Estados Unidos no ano passado, e esses números estão baixando. Estão baixando porque estamos fazendo os bombardeios contra os barcos”, afirmou Trump.
O presidente prosseguiu:
“Vamos começar a fazer esses ataques por terra também. Por terra é muito mais fácil. Sabemos as rotas que eles tomam, onde vivem, sabemos tudo sobre eles e vamos começar isso muito em breve.”
A estimativa de mais de 200 mil mortes citada por Trump foi apresentada pelo próprio presidente. Dados oficiais sobre mortes por overdose podem utilizar períodos, metodologias e classificações diferentes.
TENSÃO COM A VENEZUELA
A ameaça ocorreu em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o então governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. Washington acusava integrantes da administração venezuelana de manter ligações com organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas, alegação negada por Maduro.
Os Estados Unidos também haviam ampliado sua presença militar no Caribe, com o deslocamento de embarcações, aeronaves e militares para a região.
Embora a Venezuela aparecesse no centro das tensões, Trump declarou que as possíveis operações não ficariam necessariamente limitadas ao território venezuelano.
“Qualquer país que esteja fazendo isso e vendendo drogas para o nosso país está sujeito a ser atacado”, afirmou.
PREOCUPAÇÕES SOBRE SOBERANIA
A possibilidade de ataques terrestres norte-americanos provocou preocupações relacionadas à soberania dos países latino-americanos e ao risco de uma ampliação do conflito regional.
Operações militares realizadas dentro do território de outro país podem exigir autorização do governo envolvido ou encontrar justificativa reconhecida pelo direito internacional. Sem essas condições, os ataques podem ser contestados diplomaticamente e em organismos internacionais.
Parlamentares norte-americanos também questionaram se o presidente poderia ampliar as operações sem autorização do Congresso. Especialistas e organizações de direitos humanos cobraram transparência sobre os alvos, as provas de envolvimento com o narcotráfico e os riscos para a população civil.
À época da declaração, Trump não apresentou um calendário detalhado, os países que seriam atingidos ou as regras operacionais para a realização dos ataques terrestres.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
Fontes: Reuters e declaração de Donald Trump durante reunião de gabinete
Foto: Reuters/Brian Snyder


