Revelação ocorre no mesmo dia em que André Mendonça cobra da PGR esclarecimentos sobre mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades
Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria participado da edição da versão final do contrato firmado entre o Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Segundo a reportagem, os metadados do arquivo atribuem ao ministro a edição e a revisão da última versão do documento. O contrato previa o pagamento de aproximadamente R$ 131,2 milhões ao escritório Barci de Moraes Associados pela prestação de serviços jurídicos ao banco.
O acordo, celebrado em janeiro de 2024, estabelecia pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões durante três anos. Caso fosse integralmente cumprido, o valor alcançaria R$ 131.275.071,72. Informações divulgadas anteriormente apontam que os pagamentos foram interrompidos após a liquidação do Banco Master.
A revelação ganhou ainda mais repercussão porque foi publicada no mesmo dia em que o ministro André Mendonça solicitou à Procuradoria-Geral da República informações complementares sobre uma mensagem atribuída a Daniel Vorcaro e supostamente encaminhada a Alexandre de Moraes.
Na comunicação localizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, o banqueiro teria mencionado a necessidade de contar com a “proteção” de “Andrei” e “Paulo”. De acordo com o relatório da PF, os nomes seriam referências ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A mensagem teria sido registrada no bloco de notas do aparelho de Vorcaro antes de sua primeira prisão. Inicialmente, os investigadores não haviam identificado o destinatário, mas, após novas diligências, a Polícia Federal teria concluído que o conteúdo se destinava a Alexandre de Moraes.
Diante da gravidade das referências, André Mendonça encaminhou um ofício à PGR solicitando esclarecimentos sobre o contexto da comunicação e o significado das menções às autoridades. A providência não representa, por si só, uma acusação formal contra os citados, mas busca esclarecer os fatos reunidos durante as investigações do caso Banco Master.
A possível participação de Moraes na elaboração do contrato envolvendo o escritório de sua esposa e Daniel Vorcaro acrescenta um novo elemento aos questionamentos sobre a relação entre o banqueiro e integrantes do Judiciário.
É importante destacar que os metadados atribuídos ao ministro, assim como o conteúdo e o contexto das mensagens encontradas pela Polícia Federal, ainda precisam ser analisados e esclarecidos pelas autoridades competentes. Até que haja uma conclusão oficial, não é possível afirmar a existência de irregularidade ou responsabilidade criminal dos envolvidos.
O espaço permanece aberto para as manifestações de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, Daniel Vorcaro, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues e das demais instituições mencionadas.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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