Mensagens de 2023 foram divulgadas em setembro de 2026; pasta nega favorecimento em contratos e defesa da empresária critica vazamentos
Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que a empresária e lobista Roberta Luchsinger orientou pagamentos a servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). As informações foram publicadas pelo Estadão e confirmadas pela CNN Brasil em setembro de 2026.
Os diálogos, datados de 2 de junho de 2023, mostram orientações a Ulisses Barbosa, auxiliar de Roberta apontado como operador financeiro, para realizar depósitos e encaminhar comprovantes. Entre os destinatários mencionados estão Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta.
DINHEIRO EM ESPÉCIE
Segundo a cobertura da investigação, Roberta pediu que Ulisses retirasse R$ 60 mil guardados em sua residência para realizar pagamentos. Nas conversas, ele demonstrou preocupação com questionamentos bancários sobre depósitos elevados, e ela orientou a distribuição dos recursos entre contas diferentes.
Outros diálogos mencionam dinheiro guardado em malas e uma ordem para entregar R$ 193 mil ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A defesa de Bittar negou que ele reconheça os valores como destinados a si e afirmou desconhecer a origem dos recursos e o motivo da menção ao seu nome.
CONTRATOS SOB QUESTIONAMENTO
Pouco mais de seis meses depois dos pagamentos mencionados, o MDS firmou contrato de R$ 31,2 milhões com a empresa de tecnologia 3Structure, representada por Roberta. Em abril de 2026, houve nova contratação, de R$ 19,2 milhões.
O ministério negou favorecimento e afirmou que a contratação ocorreu por pregão eletrônico. Também declarou que os dois servidores citados não tinham competência sobre a área e não participaram do processo licitatório. A sequência temporal entre pagamentos e contratos, isoladamente, não comprova uma relação ilícita entre eles.
O QUE DIZEM AS DEFESAS
À época da divulgação, a defesa de Roberta afirmou desconhecer as conversas e criticou o vazamento de informações de investigação sigilosa, atribuindo-lhe interesse político e eleitoral.
A defesa de Lulinha negou relação dele com os pagamentos e questionou a autenticidade das mensagens. Já a 3Structure declarou desconhecer repasses a servidores e sustentou que seus contratos públicos seguiram as normas de contratação e os procedimentos de controle.
O caso envolve suspeitas sob investigação. A identificação de movimentações financeiras exige esclarecimentos sobre origem, finalidade e eventual relação com decisões administrativas, sem antecipar conclusões sobre responsabilidade criminal.
Reportagem: Marcelo Rodrigues.
Com informações do Estadão, repercutidas por CNN Brasil, UOL e Folha de S.Paulo.
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