12 DE AGOSTO — SANTA JOANA FRANCISCA DE CHANTAL: DA MATERNIDADE À VIDA RELIGIOSA, UMA HISTÓRIA DE FÉ E ENTREGA A DEUS

Igreja

Fundadora da Congregação da Visitação de Santa Maria, a santa francesa encontrou em São Francisco de Sales seu diretor espiritual e transformou as provações da vida em um caminho de caridade, oração e serviço

Por Marcelo Rodrigues

Celebrada pela Igreja Católica em 12 de agosto, Santa Joana Francisca de Chantal foi esposa, mãe, viúva, religiosa e fundadora. Sua trajetória atravessou diferentes estados de vida e tornou-se um testemunho de perseverança na fé e confiança na vontade de Deus.

Joana nasceu em Dijon, na França, em 28 de janeiro de 1572. Era filha de Bénigne Frémyot, importante magistrado da Borgonha, e cresceu em uma família de posição social elevada.

Apesar das possibilidades proporcionadas por sua origem, desde cedo demonstrou forte formação católica.

Posteriormente, casou-se com Christophe de Rabutin, barão de Chantal, com quem constituiu uma família e viveu anos de profunda união.

UMA CASA MARCADA PELA FÉ

Depois do casamento, Joana foi viver no castelo de Bourbilly.

Sua fé passou a marcar também a organização da residência e o relacionamento com aqueles que trabalhavam para a família.

Joana dedicava especial atenção à vida religiosa e à assistência aos necessitados. Além dos cuidados com sua família, preocupava-se com as necessidades materiais e espirituais das pessoas que estavam ao seu redor.

A vida familiar, entretanto, seria profundamente transformada por uma tragédia.

A MORTE DO MARIDO

Durante uma caçada, o barão de Chantal foi acidentalmente atingido por um disparo e ficou gravemente ferido.

Dias depois, morreu.

Joana tornou-se viúva ainda jovem e precisou enfrentar o sofrimento da perda enquanto cuidava dos filhos.

Foi um dos períodos mais difíceis de sua existência.

A experiência também marcou profundamente sua espiritualidade, especialmente no aprendizado do perdão. Com o passar do tempo, conseguiu perdoar o homem responsável pelo disparo acidental que provocara a morte de seu marido.

A viúva passou a dedicar-se intensamente à educação dos filhos, à oração e às obras de caridade.

O ENCONTRO COM SÃO FRANCISCO DE SALES

Um encontro mudaria definitivamente o rumo de sua vida.

Joana conheceu Francisco de Sales, então bispo de Genebra e futuro santo e Doutor da Igreja.

Reconhecendo nele um importante guia espiritual, escolheu Francisco como seu diretor.

Entre os dois nasceu uma profunda amizade espiritual, fundamentada na busca pela santidade e na compreensão de que a vida cristã poderia ser vivida plenamente nas mais diferentes circunstâncias.

A espiritualidade de São Francisco de Sales teria enorme influência sobre Joana.

Juntos, começariam posteriormente uma obra destinada a atravessar os séculos.

NASCE A ORDEM DA VISITAÇÃO

Em 1610, Joana Francisca de Chantal e Francisco de Sales fundaram, em Annecy, a Ordem da Visitação de Santa Maria.

A nova comunidade nasceu com uma característica especial.

Francisco de Sales desejava proporcionar uma forma de vida religiosa também às mulheres que, por idade ou condições de saúde, não conseguiam suportar as grandes austeridades exigidas por algumas congregações daquele período.

A espiritualidade seria baseada principalmente na humildade, na mansidão, na oração e na caridade.

Joana tornou-se uma das primeiras religiosas da nova comunidade e assumiu importantes responsabilidades em sua organização.

A partir daquele pequeno grupo, a Visitação começou a crescer.

UMA OBRA QUE SE ESPALHOU

Madre Joana Francisca dedicou as décadas seguintes à expansão da congregação.

Novos mosteiros foram sendo fundados em diferentes regiões.

O crescimento da Visitação, entretanto, não ocorreu sem dificuldades.

Joana enfrentou incompreensões, problemas administrativos, sofrimentos pessoais e grandes desafios espirituais.

Também precisou enfrentar outra perda profundamente dolorosa: a morte de São Francisco de Sales, em 1622.

Mesmo sem seu grande amigo e diretor espiritual, continuou a missão que os dois haviam iniciado.

A VISITAÇÃO E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Décadas depois, a congregação fundada por Joana Francisca e Francisco de Sales teria um papel particularmente importante na história da devoção católica.

Foi no Mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial que Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa visitandina, viveu no século XVII as experiências místicas que contribuíram decisivamente para a difusão da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Assim, a obra iniciada em 1610 deixaria uma marca profunda na espiritualidade da Igreja.

UMA SANTA PARA TODOS OS ESTADOS DE VIDA

Um dos aspectos mais impressionantes da história de Joana Francisca de Chantal é justamente a diversidade de experiências que viveu.

Foi filha.

Foi esposa.

Foi mãe.

Foi viúva.

E tornou-se religiosa e fundadora.

Em cada uma dessas etapas procurou encontrar uma maneira de permanecer fiel a Deus.

Sua santidade não nasceu da ausência de sofrimento. Pelo contrário, amadureceu em meio às perdas, às responsabilidades familiares, às dificuldades e às renúncias.

A MORTE DE JOANA FRANCISCA

Depois de décadas dedicadas à consolidação da Visitação, Joana Francisca de Chantal morreu em Moulins, na França, em 13 de dezembro de 1641.

Tinha 69 anos.

Seu corpo foi posteriormente levado para Annecy, onde sua história permanece profundamente ligada à de São Francisco de Sales.

A Igreja reconheceu oficialmente sua santidade no século XVIII. Joana Francisca de Chantal foi beatificada pelo papa Bento XIV em 1751 e canonizada pelo papa Clemente XIII em 1767.

Atualmente, sua memória litúrgica é celebrada em 12 de agosto.

UM LEGADO QUE PERMANECE

Mais de quatro séculos depois da fundação da Visitação, religiosas da ordem continuam presentes em diferentes partes do mundo.

O legado de Santa Joana Francisca permanece especialmente atual para aqueles que precisam reconstruir suas vidas depois de perdas profundas.

Ela conheceu a felicidade do casamento e a dor da viuvez.

Conheceu as responsabilidades da maternidade e as exigências da vida religiosa.

Conheceu a amizade e a perda.

Mas, atravessando todas essas experiências, permaneceu buscando a mesma direção: Deus.

Sua vida ensina que a santidade não está reservada a uma única condição ou momento da existência.

Ela pode ser construída dentro da família, na maternidade, na viuvez, no trabalho, na caridade e na consagração religiosa.

Neste 12 de agosto, a Igreja recorda uma mulher que transformou a própria história de sofrimento e esperança em uma extraordinária missão de amor.

SANTA JOANA FRANCISCA DE CHANTAL, ROGAI POR NÓS!

12 de agosto
Santa Joana Francisca de Chantal
1572–1641
Fundadora da Ordem da Visitação de Santa Maria

Reportagem: Marcelo Rodrigues
Presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos

Rede Católica News
Informação com responsabilidade cristã

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *