Valdemar Costa Neto enviou recado a Davi Alcolumbre após relatos de que o presidente do Senado poderia autorizar processos contra Mendonça e Alexandre de Moraes
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda pretende obstruir as votações no Senado caso o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, decida avançar com um processo de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A reação ocorreu após informações de bastidores indicarem que Alcolumbre teria sinalizado a parlamentares a possibilidade de autorizar também uma denúncia contra Mendonça caso aumentasse a pressão pela abertura de um processo contra Alexandre de Moraes.
Segundo relato divulgado pela GloboNews, Valdemar Costa Neto teria enviado um recado direto ao presidente do Senado:
“Não vai ter diálogo, vai ter obstrução total.”
A declaração representa uma posição política do dirigente partidário. Até o momento, não existe confirmação de que Davi Alcolumbre tenha decidido formalmente abrir um processo de impeachment contra André Mendonça.
POSSIBILIDADE DE “IMPEACHMENT CRUZADO”
As articulações ganharam força depois que integrantes da oposição voltaram a pressionar o Senado pela análise de pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes.
Diante da pressão, Alcolumbre teria indicado a interlocutores que uma eventual abertura de processo contra Moraes poderia vir acompanhada da análise de uma denúncia contra Mendonça. A estratégia passou a ser chamada nos bastidores políticos de “impeachment cruzado”.
A possibilidade foi interpretada por aliados de Mendonça como uma tentativa de impedir o avanço das cobranças direcionadas a Moraes e de criar um equilíbrio político artificial entre os dois ministros.
Não existe, entretanto, decisão oficial do Senado sobre a abertura de qualquer um desses processos. As informações disponíveis até o momento são baseadas em relatos atribuídos a parlamentares e interlocutores do presidente da Casa.
CRISE ENTRE MINISTROS DO SUPREMO
A tensão aumentou depois que André Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados às investigações do Banco Master. O material reuniu mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes.
Após a divulgação, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que a conduta de Mendonça fosse apurada por possíveis irregularidades. O pedido mencionava suspeitas de abuso de autoridade e outras infrações que, caso fossem comprovadas, poderiam alimentar discussões sobre crime de responsabilidade.
Fachin decidiu retirar o pedido do inquérito das fake news e abriu um procedimento separado para receber esclarecimentos das autoridades envolvidas.
A crise se agravou quando Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada.
O ministro alegou a existência de possíveis irregularidades na produção de relatórios de inteligência sobre autoridades. A decisão provocou reação do governo federal, que recorreu ao Supremo por meio da Advocacia-Geral da União.
PL DEFENDE MENDONÇA
André Mendonça foi indicado ao STF em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro e possui forte identificação com setores conservadores e evangélicos.
Parlamentares do PL e de outros partidos de oposição passaram a manifestar apoio ao ministro, afirmando que suas decisões precisam ser respeitadas e analisadas pelos mecanismos internos do Judiciário.
Para dirigentes da legenda, a possibilidade de impeachment de Mendonça seria uma reação política às decisões tomadas durante as investigações envolvendo o Banco Master e a Polícia Federal.
A promessa de obstrução significa que parlamentares podem utilizar instrumentos regimentais para atrasar ou impedir votações, como discursos prolongados, pedidos de verificação de quórum, requerimentos e ausência coordenada em sessões.
Apesar da declaração de Valdemar Costa Neto, a capacidade do PL de paralisar sozinho o Senado depende da adesão de outras legendas. A obstrução produz maior efeito quando reúne diferentes bancadas da oposição e reduz o número de parlamentares disponíveis para as votações.
DECISÃO CABE AO PRESIDENTE DO SENADO
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo nos casos de crimes de responsabilidade.
O recebimento inicial de uma denúncia depende de decisão do presidente da Casa. Somente depois dessa etapa o processo pode avançar para as demais fases de análise e votação.
Davi Alcolumbre possui, portanto, papel central na definição do andamento dos pedidos apresentados contra integrantes do STF. Esse poder, entretanto, deve ser exercido com responsabilidade, fundamentação jurídica e respeito ao devido processo legal.
O impeachment de um ministro do Supremo não pode ser utilizado como instrumento de proteção, retaliação ou negociação entre grupos políticos. Qualquer denúncia precisa ser examinada individualmente, com base em provas e sem tentativas de compensar a investigação de uma autoridade com o afastamento de outra.
A crise exige transparência e serenidade. Divergências entre ministros, partidos e instituições não podem substituir a apuração rigorosa dos fatos nem transformar o Senado em palco de ameaças políticas.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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Foto: Reprodução
Com informações da GloboNews, Gazeta do Povo e Folha de S.Paulo


