MENSAGENS ANALISADAS PELA PF REVELAM BASTIDORES DE FESTA ORGANIZADA POR DANIEL VORCARO
Evento privado teria reunido aproximadamente 120 mulheres e 20 homens; celulares foram recolhidos e autoridades mencionadas nas conversas negam participação
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelaram detalhes da organização de uma festa privada de Halloween realizada em São Paulo.
Segundo informações publicadas inicialmente pela revista Piauí, o evento aconteceu em 31 de outubro de 2023, na casa noturna Madame Satã, localizada no bairro da Bela Vista. As conversas analisadas integram um relatório produzido pela PF no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
De acordo com as mensagens, a festa teria reunido aproximadamente 120 mulheres e apenas 20 homens. A organização demonstrava preocupação especial com a privacidade dos convidados e com a possibilidade de informações ou imagens do encontro chegarem ao público.
CELULARES RECOLHIDOS NA ENTRADA
Um dos principais cuidados adotados teria sido a proibição do uso de telefones celulares. Os aparelhos dos convidados deveriam ser recolhidos na entrada, enquanto uma equipe de segurança impediria a realização de fotografias dentro e fora do estabelecimento.
Em uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, o banqueiro escreveu “telefone na porta”. Em resposta, o ex-ministro Fábio Faria teria acrescentado: “E segurança dentro”.
Apesar das medidas, uma convidada publicou posteriormente um vídeo da festa nas redes sociais. As conversas indicam que Vorcaro determinou que a gravação fosse retirada imediatamente. O conteúdo acabou sendo apagado.
Ainda segundo a reportagem, o encontro contou com apresentações de artistas ligados à música eletrônica, entre eles Swedish House Mafia, Solomun e Vintage Culture.
FÁBIO FARIA PARTICIPOU DA DISTRIBUIÇÃO DE CONVITES
As mensagens mostram que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, conversou com Vorcaro sobre a relação de convidados. Em uma delas, Faria menciona os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco e afirma ter convidado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
“Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”, diz uma das mensagens atribuídas ao ex-ministro.
No dia seguinte, Alcolumbre e Pacheco voltaram a ser tratados na conversa como confirmados, enquanto Toffoli tentaria comparecer devido a compromissos no STF.
Entretanto, a presença desses nomes nas mensagens não comprova que eles tenham participado do encontro. Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli negaram ter comparecido à festa.
As assessorias de Alcolumbre e Pacheco afirmaram que os dois estavam em Brasília no dia do evento e que haviam jantado juntos naquela noite.
Fábio Faria declarou que sua participação ficou restrita ao encaminhamento de convites para pessoas conhecidas. Segundo o ex-ministro, ele havia conhecido Daniel Vorcaro em um fórum empresarial realizado naquele mesmo mês.
OUTROS NOMES APARECEM NAS CONVERSAS
Um áudio atribuído a Fábio Faria também contém referências a pessoas identificadas apenas como “Arthur” e “Alexandre”. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que as menções poderiam se referir ao deputado Arthur Lira e ao ministro Alexandre de Moraes.
Essa identificação, contudo, é uma interpretação dos investigadores e não representa confirmação de que os dois tenham recebido os convites ou participado da festa.
Outras mensagens fazem referência a “MV” e a uma possível participação do empresário Wesley Batista. Os investigadores levantaram a hipótese de que as iniciais poderiam indicar o advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho.
Marcus Vinícius negou ser a pessoa mencionada e afirmou que estava fora de São Paulo. A assessoria de Wesley Batista também declarou que o empresário nunca participou de festas organizadas por Vorcaro.
PREOCUPAÇÃO COM POSSÍVEL VAZAMENTO
As conversas registram ainda uma preocupação constante com a repercussão pública do evento. Em uma das mensagens, Vorcaro teria afirmado que, caso a festa se tornasse pública, seria apresentada como uma confraternização do banco para parceiros no Halloween.
Os organizadores também teriam evitado divulgar antecipadamente o endereço. A localização exata somente foi enviada no dia do encontro.
Agências de modelos mencionadas nas conversas negaram ter intermediado a presença de mulheres na festa. Representantes das empresas Mega, Ford, Joy e Allure afirmaram que não realizam esse tipo de serviço.
A administração do Madame Satã informou que o espaço foi alugado por um produtor de eventos e que seu responsável não sabia que Daniel Vorcaro estaria por trás da realização do encontro.
MENÇÃO NÃO COMPROVA PARTICIPAÇÃO OU CRIME
O conteúdo das mensagens poderá auxiliar a Polícia Federal a compreender a rede de contatos mantida por Daniel Vorcaro e verificar se encontros privados tiveram alguma relação com interesses empresariais, financeiros ou institucionais.
É importante ressaltar, porém, que a simples menção a uma autoridade ou empresário em uma conversa privada não comprova seu comparecimento ao evento, tampouco a prática de qualquer irregularidade.
As identificações ainda tratadas como hipóteses precisam ser confirmadas por outros elementos, como registros de deslocamento, imagens, depoimentos ou informações documentais.
O caso exige uma investigação criteriosa, com respeito ao devido processo legal, ao direito de defesa e à presunção de inocência de todas as pessoas citadas.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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