LUKASHENKO E AS DECLARAÇÕES HOMOFÓBICAS: ENTENDA O CONTEXTO DA FALA SOBRE LÉSBICAS E GAYS

Internacional

Afirmação atribuída ao líder de Belarus foi noticiada em 2013 e não deve ser apresentada como um novo pronunciamento

Uma declaração de Aleksandr Lukashenko sobre mulheres lésbicas e homens gays, reproduzida em publicações nas redes sociais, tem origem em um episódio antigo. A fala foi registrada em reportagem da Baltic News Network publicada em 20 de março de 2013, sobre declarações do governante à imprensa russa.

Na ocasião, Lukashenko afirmou que poderia “perdoar” mulheres lésbicas, mas não homens gays. Também atribuiu a orientação sexual das mulheres ao comportamento dos homens, reproduzindo uma visão preconceituosa sobre a homossexualidade.

O material consultado não confirma que a declaração tenha sido repetida recentemente. Por isso, sua divulgação precisa informar a data e as circunstâncias do episódio.

HISTÓRICO DE DECLARAÇÕES DISCRIMINATÓRIAS

Em março de 2012, Lukashenko já havia provocado uma reação oficial da Alemanha ao afirmar que seria melhor ser ditador do que gay.

Segundo reportagem da Reuters, a declaração foi interpretada como uma resposta ao então ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, que era abertamente gay e havia criticado o autoritarismo do governante.

Representantes do governo alemão repudiaram o comentário e relacionaram a fala à postura de Lukashenko diante dos direitos fundamentais.

RESPONSABILIDADE DE QUEM EXERCE O PODER

Declarações discriminatórias de autoridades merecem escrutínio público pelo alcance e pela influência de quem as pronuncia. O respeito à dignidade humana deve orientar o tratamento de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual.

Nesse caso, a responsabilidade jornalística também exige precisão: uma fala documentada em 2013 não pode ser apresentada como acontecimento atual sem evidências de um novo episódio.

Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
redecatolicanews.com.br

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