Ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado do RJ é alvo de investigação sobre lavagem de dinheiro em postos e supostos vínculos com grupos criminosos
Eleito deputado estadual com 197.178 votos em 4 de outubro, Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso preventivamente pela Polícia Federal no dia 15, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
A investigação reúne suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, proteção institucional a atividades ilícitas e articulações com integrantes de milícias e do Comando Vermelho. As acusações são atribuídas aos investigadores e não representam condenação definitiva.
A PRISÃO
Canella foi preso em um condomínio na Barra da Tijuca. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também atingiu Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.
Foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses.
O ESQUEMA DOS POSTOS
Segundo a investigação relatada pela imprensa, a organização suspeita teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. Esse montante corresponde à movimentação financeira sob apuração, não a um valor comprovadamente desviado por Canella.
A PF atribui ao político uma função de articulação e proteção institucional. A estrutura investigada envolveria agentes públicos, operadores financeiros, empresas e pessoas utilizadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos negócios.
O policial civil conhecido como Pablo Russo é apontado como gestor de fato da rede de postos. A apuração também descreve depósitos fracionados e empresas supostamente utilizadas para esconder a origem dos recursos.
A Justiça determinou a suspensão das atividades de 112 empresas vinculadas à rede investigada, incluindo 96 postos de combustíveis.
AS SUSPEITAS ENVOLVENDO O COMANDO VERMELHO
Segundo a representação policial divulgada pelo UOL, um capitão da PM teria intermediado conversas entre lideranças do Comando Vermelho e a administração municipal de Canella.
A suspeita é de que traficantes autorizassem a retirada de barricadas para permitir obras públicas. Em contrapartida, haveria redução das operações policiais e retomada do controle territorial pelos criminosos depois das intervenções.
Os investigadores sustentam que as obras seriam exploradas politicamente pela prefeitura.
OS VÍNCULOS COM MILÍCIAS SOB APURAÇÃO
A PF também menciona proximidade com Juracy Alves Prudêncio, o Jura, apontado como liderança da milícia Somos Comunidade.
Entre os elementos citados estão a nomeação da mulher de Jura para um cargo no gabinete parlamentar de Canella e indicações de pessoas investigadas por possíveis vínculos com milícias para a administração municipal.
A PRISÃO ANTERIOR
Em julho, Canella já havia sido preso após a localização de um fuzil em seu veículo. Foi posteriormente solto por decisão de Moraes, após apresentar elementos indicando que a arma pertencia ao policial responsável por sua segurança.
O QUE DIZ A DEFESA
Na ocasião da operação de outubro, a defesa informou à imprensa que ainda não havia tido acesso ao processo e que, por esse motivo, não se manifestaria sobre as acusações.
A prisão preventiva não equivale a uma condenação. A responsabilidade individual de cada investigado depende da análise das provas e das decisões judiciais, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
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