EPISÓDIO 6 — BAHIA: CAMINHOS DE CANUDOS
Na região de Canudos e Euclides da Cunha, a viagem encontra a memória de um conflito que marcou o país e comunidades que continuam construindo sua história.
Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
A passagem pela região de Canudos acrescenta uma dimensão histórica à viagem pela BR-116. No sertão baiano, conhecer o território significa encontrar as marcas de uma guerra, a memória de seus sobreviventes e os lugares dedicados a preservar essa experiência.
A rodovia oferece acesso à região, mas o percurso pela pista principal precisa ser distinguido das visitas à cidade, ao parque e aos espaços de memória. Conhecer Canudos exige planejar essas paradas e compreender que a história local se estende além do traçado rodoviário.
É com esse olhar que o sexto episódio da série chega à Bahia: a estrada conduz a viagem, enquanto a pesquisa histórica ajuda a interpretar os lugares.
BELO MONTE: A COMUNIDADE ANTES DA GUERRA
Em 1893, Antônio Conselheiro e seus seguidores estabeleceram a comunidade de Belo Monte, no arraial de Canudos, às margens do Rio Vaza-Barris. O povoado tornou-se o centro de um conflito entre seus moradores e as forças enviadas pelo poder público, nos primeiros anos da República.
A Guerra de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897. Seu desfecho, em outubro de 1897, foi a destruição do arraial após sucessivas expedições militares. A violência contra a comunidade deixou uma marca profunda na história republicana brasileira.
Compreender esse episódio exige reconhecer seus moradores como pessoas com famílias, trabalho, crenças e expectativas. A dimensão humana do conflito é fundamental para uma série que pretende conhecer o Brasil a partir de sua população.
FÉ E HISTÓRIA
A religiosidade esteve no centro da experiência de Belo Monte. Antônio Conselheiro era um líder religioso leigo, e a comunidade reuniu seguidores em torno de suas pregações e práticas de devoção. O Museu da República apresenta o arraial como uma comunidade religiosa atingida pelo confronto com forças militares dos governos da União e dos estados.
Para o RCNEWS, abordar essa dimensão significa investigar as formas de vivência da fé naquele contexto, considerando também as tensões e diferenças que atravessavam a sociedade da época.
A história de Canudos pede atenção às fontes e às diferentes interpretações. Seus acontecimentos não podem ser explicados apenas por rótulos aplicados aos sertanejos.
EUCLIDES DA CUNHA E O REGISTRO DO CONFLITO
A guerra também se tornou um marco na literatura e no jornalismo brasileiros. Euclides da Cunha acompanhou parte da campanha como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Em 1902, publicou “Os Sertões”, obra dedicada ao conflito e à interpretação do território e de sua população.
O nome do escritor está presente no mapa regional. Segundo o histórico do IBGE, o distrito anteriormente chamado Cumbe passou a se chamar Euclides da Cunha em 1938. A localidade integra o percurso desta série pela BR-116.
A presença desse nome aproxima três dimensões da viagem: o lugar, os acontecimentos históricos e as maneiras pelas quais eles foram registrados e interpretados.
AS ÁGUAS DE COCOROBÓ
Décadas depois da guerra, outra transformação alterou a paisagem. A formação do Açude Cocorobó submergiu a área do antigo arraial e do povoado reconstruído após o conflito.
O DNOCS registra que o reservatório se tornou importante para o abastecimento humano de Canudos e para o Perímetro Irrigado do Vaza-Barris. Sua história reúne, portanto, a questão da água no semiárido e mudanças profundas nos espaços de moradia e memória.
Essas transformações mostram por que conhecer Canudos exige acompanhar diferentes tempos: a comunidade conselheirista, a reconstrução posterior à guerra e as mudanças relacionadas ao açude.
PRESERVAR PARA CONHECER
Parte dessa memória é preservada pelo Parque Estadual de Canudos. Criado em 1986, o espaço guarda registros arqueológicos e históricos do conflito, incluindo vestígios de trincheiras e objetos, conforme apresentação da Universidade Federal do Vale do São Francisco.
O Memorial Antônio Conselheiro, vinculado à Universidade do Estado da Bahia, também atua na preservação da história e como referência cultural. Esses espaços oferecem caminhos para estudar o passado com apoio de acervos, pesquisas e atividades educativas.
A memória familiar igualmente merece atenção. O cadastro do Museu de Canudos Casa de Vó Izabel registra a trajetória de Dona Izabel Oliveira, filha de sobreviventes da guerra, e sua colaboração na identificação de locais históricos durante a implantação do parque. É um exemplo de como o conhecimento dos moradores contribui para a pesquisa.
CANUDOS CONTINUA
O passado ocupa lugar central neste episódio, mas a região também precisa ser conhecida por sua vida presente. As próximas etapas de apuração deverão ouvir moradores, educadores, trabalhadores e responsáveis pelos espaços culturais, aproximando a memória histórica das experiências atuais.
Este texto foi produzido com base em pesquisa documental. Não apresenta entrevistas ou observações presenciais ainda não realizadas.
Na região de Canudos, a viagem pela BR-116 encontra uma tarefa: conhecer a história com atenção às pessoas que a viveram e àquelas que hoje preservam seus vestígios.
No próximo episódio: “Feira de Santana — vidas que se cruzam”.
Marcelo Rodrigues, presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos.
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BR-116 — O BRASIL QUE VIVE À BEIRA DA ESTRADA
EPISÓDIO 7 — FEIRA DE SANTANA: VIDAS QUE SE CRUZAM
Da antiga feira de gado às conexões rodoviárias, a cidade baiana revela uma história construída pelo comércio, pela fé e pela circulação de pessoas.
Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
Antes dos caminhões, das carretas e dos ônibus, havia o encontro de vaqueiros, tropeiros e comerciantes. A história de Feira de Santana está ligada à circulação de pessoas e mercadorias, muito antes de a BR-116 fazer parte de sua paisagem.
O histórico publicado pela Prefeitura relaciona a formação da cidade à criação de gado no sertão baiano e à devoção a Senhora Sant’Ana. Na Fazenda Sant’Anna dos Olhos d’Água, a capela e o comércio participaram do desenvolvimento de um povoado que se tornaria um importante centro urbano.
Neste sétimo episódio, o RCNEWS encontra em Feira de Santana uma relação entre os caminhos antigos e a estrada moderna. A cidade oferece uma oportunidade de investigar como os deslocamentos ajudam a formar lugares, sustentar negócios e aproximar diferentes regiões.
A FEIRA QUE DEU NOME À CIDADE
A identidade comercial aparece no próprio nome do município. Segundo o histórico apresentado pela Justiça Federal na Bahia, os proprietários da Fazenda Sant’Anna dos Olhos d’Água, Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandoa, construíram uma capela dedicada a Sant’Ana. O desenvolvimento do comércio, especialmente de gado, deu origem à feira que se transformou em um centro de negócios.
Conhecer essa origem ajuda a entender que a circulação não começou com a rodovia. A cidade já se organizava em torno de encontros e trocas, oferecendo uma referência para quem transportava animais e produtos.
A BR-116 passou a integrar uma história anterior à sua construção. Por isso, compreender sua importância exige olhar também para os caminhos que a precederam e para as mudanças nas formas de viajar e negociar.
ENTRE O SERTÃO E A CAPITAL
Na malha rodoviária, Feira de Santana reúne conexões importantes. A documentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres identifica os trechos da BR-116 e da BR-324 relacionados ao contorno da cidade e à ligação com Salvador.
Essas conexões situam Feira no encontro entre viagens de longa distância e deslocamentos regionais. Para esta série, o mapa é o ponto de partida para uma questão concreta: como esse movimento participa da vida de quem trabalha e mora no município?
Responder exige observar o transporte de mercadorias, os acessos urbanos e os serviços utilizados pelos viajantes. Exige também ouvir quem depende desses caminhos diariamente, com atenção às diferenças entre atravessar a cidade e viver nela.
O COMÉRCIO MUDA DE LUGAR
Uma transformação importante ocorreu em janeiro de 1977, quando a feira livre do centro foi transferida para o Centro de Abastecimento. O registro histórico publicado pela Prefeitura destaca que a mudança provocou reação em segmentos da cidade, evidenciando o vínculo entre a feira, seus trabalhadores e o espaço urbano.
A trajetória desse comércio continua sendo objeto de pesquisa. Estudo publicado na revista História, em 2025, analisa as mudanças da feira e a permanência de trabalhadores em diferentes espaços, incluindo bairros, distritos e o centro.
Essa história amplia o olhar sobre o desenvolvimento urbano. Mudanças na organização comercial envolvem locais de trabalho, relações com os clientes e formas de ocupar a cidade. Seus efeitos precisam ser compreendidos também pelas experiências dos próprios comerciantes.
SANT’ANA E A MEMÓRIA DA COMUNIDADE
A presença religiosa integra a formação de Feira de Santana. O histórico da Catedral de Sant’Ana apresenta a antiga capela como referência para a feira de gado e para o povoamento.
O mesmo registro informa que, em 1833, a eleição dos primeiros vereadores ocorreu no interior da capela, durante o processo de instalação do município como vila. O episódio revela a proximidade entre o espaço religioso e a organização da comunidade naquele período.
Para o RCNEWS, essa memória merece ser conhecida por sua importância histórica e pelo significado que a devoção conserva para os fiéis. Nas etapas presenciais, a proposta será ouvir seus participantes e conhecer as celebrações a partir da vida comunitária.
AS PESSOAS POR TRÁS DAS ROTAS
A pesquisa documental apresenta uma cidade marcada pelas trocas e pelos deslocamentos. A reportagem de campo deverá aproximar essa trajetória das experiências atuais de feirantes, caminhoneiros, trabalhadores do comércio, passageiros e moradores.
Como as mercadorias chegam aos pontos de venda? Quanto os deslocamentos representam na rotina de trabalho? De que maneira a estrada oferece oportunidades e quais dificuldades precisam de solução?
Essas perguntas orientarão a escuta, sem antecipar respostas ou apresentar personagens ainda não entrevistados.
UMA CIDADE PARA CONHECER DE PERTO
Feira de Santana permite acompanhar uma continuidade histórica: caminhos aproximam pessoas, e esses encontros participam da construção das cidades. Ao mesmo tempo, cada transformação precisa ser examinada em seus efeitos sobre a população.
Este episódio foi elaborado com base em pesquisa documental. As condições atuais dos acessos e as experiências dos moradores serão aprofundadas nas visitas e entrevistas.
A viagem segue pela Bahia, levando essa atenção ao trabalho e à vida cotidiana para a próxima parada.
No próximo episódio: “Vitória da Conquista — trabalhar e viver junto à BR”.
Marcelo Rodrigues, presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos.
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BR-116 — O BRASIL QUE VIVE À BEIRA DA ESTRADA
EPISÓDIO 8 — VITÓRIA DA CONQUISTA: TRABALHAR E VIVER JUNTO À BR
No sudoeste baiano, a história da Rio–Bahia se encontra com o crescimento urbano e com a necessidade de garantir deslocamentos seguros para quem vive próximo à rodovia.
Reportagem: Marcelo Rodrigues — RCNEWS
Em Vitória da Conquista, a relação com a BR-116 faz parte da história do crescimento da cidade. A ligação conhecida como Rio–Bahia ampliou as conexões do município e reforçou sua posição regional. Ao mesmo tempo, a expansão urbana trouxe uma questão que acompanha muitas cidades brasileiras: como conciliar o transporte de longa distância com os deslocamentos cotidianos da população?
Com 370.879 habitantes registrados no Censo de 2022, Vitória da Conquista oferece uma dimensão concreta desse encontro entre estrada e vida urbana. O número corresponde ao conjunto do município, incluindo suas áreas urbanas e rurais.
Nesta etapa da série, o RCNEWS reúne referências históricas e registros públicos para compreender a importância da rodovia e preparar a apuração sobre trabalho, acessos e segurança.
A RIO–BAHIA E O CRESCIMENTO DA CIDADE
O histórico publicado pela Prefeitura relaciona a expansão de Vitória da Conquista à construção de ligações rodoviárias. Nos anos 1940, o caminho entre Ilhéus e Bom Jesus da Lapa intensificou o comércio e o crescimento populacional. Posteriormente, a Rio–Bahia acrescentou outra conexão importante.
A Prefeitura registra 1963 como marco da inauguração da obra pelo presidente João Goulart. No contexto nacional, a síntese histórica do Ministério dos Transportes identifica esse mesmo ano como o da conclusão da pavimentação da Rio–Bahia, anteriormente denominada BR-4. É uma etapa da formação da estrada, que deve ser diferenciada da abertura anterior de caminhos ao tráfego.
Essa trajetória permite observar como a infraestrutura de transporte participou das transformações locais. Também mostra por que a história da cidade precisa ser considerada ao lado da história da rodovia: os caminhos se modificam, enquanto bairros, atividades econômicas e necessidades de deslocamento se reorganizam.
O ANEL RODOVIÁRIO E OS ACESSOS
Para entender a passagem da BR-116 por Vitória da Conquista, é necessário distinguir seus segmentos e suas conexões com a malha urbana. A documentação da ANTT identifica o Anel Rodoviário entre as referências do sistema federal no município.
A importância desses acessos aparece também em atos relacionados a intervenções. Em novembro de 2022, por exemplo, a agência declarou de utilidade pública áreas necessárias à implantação de um dispositivo de interseção no Anel Viário, no quilômetro 24,8. A decisão documenta uma etapa administrativa do projeto; isoladamente, não comprova a execução da obra.
São registros que ajudam a localizar questões para a reportagem de campo: como funcionam as entradas dos bairros, quais trajetos os moradores utilizam e como o trânsito rodoviário se encontra com a circulação local.
A TRAVESSIA DE QUEM ESTÁ A PÉ
A segurança dos pedestres é uma parte essencial dessa relação. Em publicação de 2024, a Prefeitura informou a construção de uma passarela sobre a BR-116, entre o loteamento Comveima II e o bairro Ayrton Senna. O comunicado apresentou a intervenção como uma medida para permitir a travessia em um local com circulação de veículos pesados.
O anúncio registra uma iniciativa daquele período. A situação atual da estrutura, suas condições de uso e os caminhos efetivamente percorridos pelos moradores precisam ser verificados em apuração específica.
Para quem segue viagem, um trecho pode representar poucos minutos de percurso. Para quem mora próximo, pode integrar a ida ao trabalho, às compras ou aos serviços. Conhecer essa experiência exige ouvir os usuários e observar acessibilidade, iluminação e continuidade dos caminhos de pedestres.
TRABALHO E VIDA COTIDIANA
A relação econômica com a estrada será outro eixo das entrevistas. A série buscará conhecer trabalhadores do transporte, comerciantes, prestadores de serviços e moradores cujas atividades dependem dos acessos à BR-116.
O objetivo será compreender como a rodovia participa do sustento das famílias e da organização dos negócios. Custos de deslocamento, recebimento de mercadorias e condições de acesso são questões a investigar, com base nas experiências dos entrevistados.
Essas histórias ainda serão apuradas. Os documentos apresentam o contexto; os relatos permitirão conhecer como ele é vivido.
A FÉ NA MEMÓRIA LOCAL
A vida comunitária também encontra expressão na devoção a Nossa Senhora das Vitórias, padroeira de Vitória da Conquista. Sua festa é celebrada em 15 de agosto e integra o calendário religioso da cidade.
Conhecer essa tradição será uma oportunidade de ouvir os fiéis e compreender os vínculos que aproximam famílias e comunidades. Na proposta do RCNEWS, a dimensão religiosa acompanha a atenção à história e às pessoas encontradas pelo caminho.
UMA CIDADE QUE PEDE ATENÇÃO AOS DESLOCAMENTOS
Vitória da Conquista apresenta uma questão central desta série: a importância de uma rodovia também precisa ser examinada pelas condições de vida de quem está próximo dela. Transporte, trabalho e segurança fazem parte da mesma realidade cotidiana.
Este episódio foi produzido com base em pesquisa documental. As condições atuais dos trechos e as experiências dos moradores serão aprofundadas nas visitas e entrevistas.
No próximo episódio: “Minas Gerais — histórias de chegada e partida”.
Marcelo Rodrigues, presidente do RCNEWS e pesquisador da Vida dos Santos.
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