Prefeito de Maricá pretende procurar Lula e questiona se pressão por afastamento está relacionada à disputa pelo comando nacional da legenda.
Por Marcelo Rodrigues — RCNEWS
O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, decidiu enfrentar a articulação que pode resultar em seu afastamento do partido. Ao anunciar que pretende conversar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dirigente questionou a condução de Edinho Silva e acusou o presidente nacional da legenda de tratar o PT como propriedade particular.
“Edinho anda falando como se fosse dono do PT”, afirmou ao Metrópoles. Para Quaquá, a pressão pode estar relacionada à sua intenção de disputar a presidência nacional do partido. A declaração coloca no centro da crise uma discussão sobre os limites do comando partidário e o espaço para divergências internas.
Segundo a Folha de S.Paulo, Edinho propôs, em reunião da Executiva Nacional, a saída de dirigentes acusados de pouco empenho na campanha presidencial. O jornal informa que a iniciativa tem aval de Lula e que a possibilidade de expulsão foi sinalizada durante o encontro.
Quaquá contesta a acusação de omissão. À Folha, sustentou que participou da organização da campanha de Lula no Rio de Janeiro. Sua reação enfrenta, portanto, tanto a ameaça de afastamento quanto a versão apresentada para justificá-la.
Ao Metrópoles, o prefeito também acusou Edinho de recorrer ao nome do presidente da República para respaldar sua atuação: “É mentiroso e vive falando em nome do Lula. Vou pedir uma conversa com o presidente”, declarou. As acusações são de Quaquá e expressam sua avaliação sobre a conduta do dirigente.
A defesa apresentada por Edinho, conforme a Folha, é que o PT precisa se reorganizar em torno de um projeto coletivo. Quaquá, por sua vez, questiona se esse argumento está sendo utilizado para afastar concorrentes internos. É nessa divergência que se concentra a crítica do prefeito à postura que considera centralizadora do presidente partidário.
Ao buscar interlocução com Lula, Quaquá procura levar sua defesa diretamente à principal liderança da legenda. Nas informações publicadas pelos dois veículos, não há anúncio de uma decisão formal de expulsão nem confirmação de que a reunião solicitada já esteja marcada. O conflito permanece aberto, com o prefeito de Maricá disposto a contestar a pressão por sua saída.
Fontes: Metrópoles e Folha de S.Paulo.


