SEGUNDA NOITE DO ROCK IN RIO CONSAGRA O METAL SOB CHUVA NA CIDADE DO ROCK
Avenged Sevenfold encerrou o sábado de guitarras pesadas, que também teve Bring Me The Horizon, despedida do Sepultura e diversidade musical
A segunda noite do Rock in Rio 2026 transformou a Cidade do Rock em um grande território dedicado ao rock e ao heavy metal. No sábado, 5 de setembro, o público enfrentou a chuva para acompanhar uma programação marcada por guitarras pesadas, rodas de mosh, efeitos pirotécnicos e apresentações de diferentes gerações do gênero.
O Avenged Sevenfold foi responsável por encerrar a programação do Palco Mundo. Apesar do atraso provocado pelas condições climáticas, a banda norte-americana entregou uma apresentação intensa, reunindo grandes sucessos, músicas recentes e surpresas preparadas para os fãs brasileiros.
AVENGED SEVENFOLD FECHA A NOITE SOB CHUVA
Comandado pelo vocalista M. Shadows, o Avenged Sevenfold subiu ao palco depois da meia-noite e encontrou uma multidão disposta a permanecer na Cidade do Rock mesmo sob chuva.
A apresentação reuniu canções de diferentes momentos da trajetória do grupo, incluindo sucessos dos álbuns “Avenged Sevenfold”, “Nightmare” e “Hail to the King”. O repertório também contou com “Magic”, lançada em 2025, além de músicas menos frequentes nos shows da atual turnê, como “The Stage” e “A Little Piece of Heaven”.
Os efeitos visuais, a iluminação e os recursos pirotécnicos ajudaram a transformar o encerramento em um dos momentos mais grandiosos do festival até agora.
Antes da apresentação, M. Shadows pediu respeito entre os diferentes grupos de fãs presentes no evento. A manifestação ocorreu após críticas direcionadas ao show de Machine Gun Kelly, também conhecido como MGK, que encontrou uma recepção mais moderada entre parte do público que aguardava as atrações de metal.
BRING ME THE HORIZON CONQUISTA A CIDADE DO ROCK
Uma das apresentações mais celebradas do sábado foi a do Bring Me The Horizon. A banda britânica demonstrou grande sintonia com o público brasileiro e apresentou um espetáculo que combinou metal, elementos eletrônicos, melodias pop e uma produção visual futurista.
O vocalista Oliver Sykes interagiu diversas vezes com a plateia, alternando frases em inglês e português. Morando no Brasil com a esposa brasileira, o cantor declarou seu carinho pelo país e brincou ao celebrar o fato de possuir CPF e utilizar o Pix.
Canções como “Happy Song”, “Teardrops” e “Can You Feel My Heart” foram acompanhadas em coro pelo público. Rodas de mosh se formaram em diferentes pontos diante do Palco Mundo, reforçando a conexão entre a banda e seus admiradores.
Em outro momento marcante, um fã foi convidado para cantar “Pray for Plagues” ao lado de Oliver Sykes. O encontro foi recebido com entusiasmo pela plateia e se tornou uma das cenas mais emocionantes da apresentação.
A chuva leve que caiu durante os minutos finais deixou o espetáculo ainda mais simbólico e confirmou o Bring Me The Horizon como um dos grandes destaques da segunda noite.
SEPULTURA CELEBRA SUA HISTÓRIA
A presença do Sepultura trouxe emoção especial para o público brasileiro. A banda subiu ao Palco Mundo dentro da turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, que celebra quatro décadas de uma trajetória responsável por colocar o metal nacional entre os mais respeitados do mundo.
O show foi recebido como uma homenagem à história do grupo e à importância do Sepultura para diferentes gerações de músicos e fãs. A força das guitarras, a intensidade da bateria e a resposta do público deram à apresentação um clima de celebração e despedida.
Mais do que uma atração de abertura, o Sepultura representou a presença brasileira em uma noite dominada por importantes nomes internacionais.
MGK LEVA OUTRA FACE DO ROCK AO PALCO MUNDO
Machine Gun Kelly apresentou um repertório ligado ao pop punk e ao rock alternativo. A presença do artista em uma programação voltada ao metal provocou reações diferentes entre os espectadores.
Enquanto os admiradores acompanharam o show, parte do público, que aguardava as atrações seguintes, demonstrou uma recepção mais contida. Ainda assim, a apresentação evidenciou a proposta do festival de reunir diferentes vertentes do rock em um mesmo palco.
PALCO SUNSET AMPLIA A POTÊNCIA DO METAL
O Palco Sunset também teve uma programação marcada por peso e diversidade. O Bad Omens encerrou os trabalhos do espaço, enquanto Poppy apresentou sua mistura de metal, música eletrônica e estética experimental.
A programação brasileira ganhou força com o encontro entre Black Pantera e Nervosa. Além da intensidade musical, o show do Black Pantera foi marcado por manifestações contra o racismo e pela defesa da igualdade.
Malvada e Day Limns completaram a programação do palco, reforçando a presença feminina em um dia tradicionalmente associado ao público do rock pesado.
DIVERSIDADE PARA ALÉM DO METAL
Embora o sábado tivesse o metal como principal identidade, outros espaços mostraram a diversidade musical do Rock in Rio.
No Espaço Favela, Major RD reuniu uma grande quantidade de jovens e mostrou que o trap também pode dialogar com o universo do rock. Acompanhado por guitarrista, baixista, baterista e DJ, o rapper apresentou músicas como “Só Rock”, “60k” e “Rimo Igual Pac”.
O artista também viveu um momento emocionante ao contar com a presença dos pais na plateia.
No Palco Supernova, MC Taya chamou a atenção ao misturar elementos do funk com o metal. Já o New Dance Order manteve a música eletrônica presente durante a madrugada, com apresentações de James Hype, Volkoder, Camina Jun com Eli Iwasa e Victor Lou.
UMA NOITE DE RESISTÊNCIA E COMUNHÃO MUSICAL
A chuva, os atrasos e o cansaço não diminuíram a disposição do público. Capas impermeáveis, roupas encharcadas e o chão molhado passaram a fazer parte da paisagem da Cidade do Rock.
A segunda noite mostrou que o festival permanece como um espaço de encontro entre gerações e estilos diferentes. O sábado reuniu a história do Sepultura, a força contemporânea do Bring Me The Horizon, a experimentação de Poppy e o espetáculo do Avenged Sevenfold.
Em meio ao peso das guitarras, o público demonstrou que a música continua sendo capaz de produzir comunhão, memória e resistência. Debaixo de chuva, milhares de pessoas cantaram juntas e transformaram o segundo dia do Rock in Rio 2026 em uma celebração da força do rock.
Reportagem: Marcelo Rodrigues
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